Bursite trocantérica

Na prática clínica diária, as dores na região trocantérica são queixas comuns, podendo ser causadas por problemas clínicos locais, como a bursite trocantérica, tendinite dos glúteos ou por doenças da articulação coxo-femoral e na região lombossacra.

A bursite trocantérica é uma das doenças mais frequentes no nível do quadril, apresentando grande variedade de sinais e sintomas.

A região do quadril é formada por aproximadamente 14 a 21 bursas, sendo as de maior interesse a trocantérica, a iliopectínea e a isquioglútea.

Das 4 bursas geralmente presentes na região do grande trocânter, 3 são constantes: subglútea, máxima, média e mínima.

Bursite no quadril

Causas

A causa mais frequentemente associada é o microtrauma repetitivo, causado pelo uso ativo dos músculos que se inserem no grande trocânter. Embora o trauma seja uma das causas sabidas, somente 23% a 64% dos pacientes recordam um evento traumático específico.

As doenças musculoesqueléticas comuns associadas com a bursite trocantérica, incluem a artrite degenerativa do quadril, doenças na coluna, discrepância nos membros inferiores, artrite reumatoide, infecção, gota, obesidade, fibromialgia, artrose da articulações inferiores, síndrome da banda iliotibial, pós-operatório de artroplastia, entre outras.

Há relatos que uma das principais causas desta patologia, principalmente as refratárias ao tratamento, são oriundas de lesões do glúteo médio e do glúteo mínimo.

Epidemiologia

As mulheres, em uma relação de 4:1 comparada com os homens, são mais frequentemente afetadas, com sua prevalência aumentada entre as quartas e sextas décadas de vida. A incidência na população geral é em torno de 10% a 25%, afetando em torno de 1,8/1000 pacientes por ano.

Quadro clínico

Sinal do C para bursite trocantérica: Posição que o paciente assume quando quer demonstrar o local da dor.

A dor é de característica crônica e intermitente sobre o aspecto lateral do quadril. Ocasionalmente, o início da dor é agudo ou subagudo, podendo ser intenso. Em geral, piora à noite e o paciente tem dificuldade para dormir.

A localização da dor é atrás e posteriormente ao trocânter maior, podendo se estender no aspecto lateral da coxa em 25% a 40% dos casos, e até a perna e tornozelo, mas não até o pé. Pode ser localizada também na região lombar baixa e, em alguns casos, ser acompanhada de parestesia na face lateral da coxa, mas sem localização de dermátomo específico.

A dor localizada na palpação em cima do grande trocânter pode ser encontrada em todos os pacientes sintomáticos. Mais da metade dos pacientes tem dor ao teste de Patrick-Fabere do quadril. O edema óbvio, como notável no olécrano e na bursite pré-patelar, é incomum.

O exame físico pode também revelar a evidência de condições associadas tais como as doenças da coluna, artrite do quadril, a discrepância do comprimento dos membros inferiores, que devem ser sempre avaliados.

Exames de imagem

Nenhum exame radiográfico específico é diagnóstico da bursite trocantérica. As radiografias do quadril, da pelve e da coluna lombar podem mostrar a evidência de uma ou mais da circunstâncias musculoesqueléticos geralmente associadas.

O exame de ultrassom pode evidenciar processo inflamatório localizado junto à bursa e também no glúteo médio. A cintilografia óssea pode mostrar uma hipercaptação na região do trocânter maior, que é geralmente linear.

A imagem de ressonância magnética (RM) pode mostrar um hipersinal em sequência curtas na região do grande trocânter. Pode oferecer ainda a informação valiosa a respeito de outras patologias no nível do quadril como lesões na cartilagem, fraturas de estresse, necrose avascular, artrose, lesões musculares e a osteodistrofia.

Esses exames de imagem não são necessários, pois não são diagnósticos, porque podem aparecer alterações sugestivas, mas podem não ter os sintomas clínicos. O diagnóstico é pela história e o exame físico.

Bursite associada ao glúteo máximo

4 bursas principais descritas nesta região:

Subglútea: grande e multilocular
– – Separa a superfície profunda do glúteo máximo do trocanter e dos rotadores curtos
– – Infecção: diferenciar da pioartrite do quadril
– – – Suspeita: dor na porção profunda da face posterior do quadril + sinais sistêmicos de infecção
– – – Bursa é profunda: punção só é possível se houver grande quantidade de secreção
– – Não infecciosa: raramente necessita de tratamento cirúrgico
– – – Responde bem a AINH, terapia física e infiltração

Bursa trocantérica
– – Entre a inserção do glúteo máximo e o vasto lateral
– Infecção: pode ser acometida por infecção piogênica ou tuberculose
– – Excisão da bursa e antibioticoterapia
– Não infecciosa: responde bem a tratamento conservador
– – Com calcificação
– – – Ocorre frequentemente com tendinite ou bursite trocantérica
– – – Pode começar com tendinite e calcificação dos abdutores ou na origem do vasto lateral
– Causa dor posterolateral na coxa, similar a hérnia de disco lombar
– Geralmente responde a calor, infiltração com corticoesteróides e ocasionalmente, múltiplas perfurações com agulha

Isquioglútea: se presente, fica entre a tuberosidade do ísquio e o glúteo máximo
– – Conhecida como Weaver-Bottom

Bursite iliopectínea (bursite do iliopsoas)
– – Maior bursa do quadril – 9-15% comunica-se com a articulação
– – Sobre a cápsula na porção anterior do quadril e estende-se proximalmente na pelve, posterior ao iliopsoas
– – Dor na face anterior do quadril com massa ilioinguinal, com flexo do quadril e resistência a extensão
– – Bursite leve pode levar a quadril em ressalto

Tratamento

A maioria dos tratamento é conservador, incluindo 6 a 8 semanas de medicamentos anti-inflamatórios não-esteroidais, em um primeiro momento, gelo e após o uso do contraste térmico (gelo e calor), repouso e fisioterapia.

Nos casos em que não ocorra uma melhora significativa da dor do paciente, está indicada a realização de infiltração local com corticoide associado à substância anestésica. Outra alternativa para o tratamento das bursites refratárias é a utilização de terapia de ondas de choque.

Embora a grande maioria dos pacientes responda favorável às medidas conservadoras e à infiltração, e depois de afastada todas as outras fontes possíveis de dor nos casos refratários a estes tratamentos, está indicada a cirurgia.


Última atualização porMarcioR4

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