Torcicolo congênito

Definição

Expressão clínica de uma alteração primária no músculo esternocleidomastóideo, caracterizada por inclinação da cabeça para o lado acometido e rotação do mento para o lado contralateral.

Epidemiologia

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É a causa mais comum de torcicolo na criança pequena.
A lesão do lado direito (= pseudoartrose congênita clavícula) ocorre em 75% das crianças.
Associado com até 20% displasia do desenvolvimento do quadril dos pacientes, MTT aduto, pé equinovaro
Primipara, apresentação pélvica.

Etiologia / Fisiopatologia

Não se sabe exatamente a causa.
Teorias: síndrome compartimental do esternocleidomastóideo durante o parto; compressão intra-útero; neurogênica, obstrução venosa: fibrose em pouca quantidade na inserção esternal

Quadro Clínico e Exame Físico

Histórico do nascimento.
Diagnosticado freqüentemente de 6 a 8 semanas.
Tumor poda ser palpado sob a pele como uma massa não dolorosa, dentro do ventre do esternocleidomastóideo, atingindo seu tamanho máximo dentro das quatro primeiras semanas de vida, retrocedendo gradualmente, mas 80% passa despercebido. Após quatro a seis meses a contratura e o torcicolo são os únicos achados clínicos.
– Em algumas crianças a deformidade não é notada até um ano de vida.
– Se a deformidade for progressiva podem aparecer deformidades da face e crânio (plagiocefalia).

Exames de Imagem

Radiografia de coluna cervical deve ser solicitada para descartar outras anomalias congênitas associadas. Se houver suspeita, radiografia ou ultrassonografia dos quadris deve ser solicitada.

Ressonância magnética pode evidenciar sinais anormais, mas não a massa no esternocleidomastóideo. Há espessamento do músculo e nos pacientes mais velhos há atrofia e fibrose.

Classificação

Não encontrada.

Diagnóstico Diferencial

– Klippel-Feil
– Instabilidade rotatória
Síndrome de Grisel (subluxação espontânea atlanto-axial com inflamação nos tecidos adjacentes do pescoço, freqüentemente associada a IVAS).
– Sprengel
– Torcicolos neurogênicos (tumor de fossa posterior, siringomielia, disfunção ocular, malformação de Arnold-Chiari).

Tratamento

Tratamento clínico apresenta bom resultado em 80-90% dos pacientes. Os exercícios são feitos pelo cuidador, encostando a orelha oposta no ombro e o queixo no ombro ipsilateral, com a melhora ao fazer os exercícios em extensão. Fisioterapia 10 x 10 x 10 até 1 ano. Após um ano, as medidas clínicas resultam em insucesso.

Cirurgia é indicada na falha do tratamento clínico entre 1-4 anos, nas deformidades faciais estabelecidas ou limitação > 30° de movimento. Melhor idade é entre um a quatro anos, é descrito um bom resultado, em relação à assimetria facial, se feita até 12 anos (porém quando feita após 2,5 anos vai persistir algum grau de plagiocefalia). Estruturas que podem ser lesadas: nervo espinhal acessório (acima), veias jugulares (abaixo), vasos carotídeos (abaixo) e nervo facial (não fala freqüência, nem quando são lesados).

Tipos de tratamento cirúrgico:
– Liberação unipolar
– Liberação bipolar: combinada a Z-plastia com liberação da inserção esternal mostrou 92%. Esteticamente melhor (mantém o V do pescoço)
– Transecção do terço médio: mostrou 90% de bons resultados, mas perde o V do pescoço
– Ressecção completa

Pós-operatório

Pode variar com o protocolo utilizado, desde simples exercícios a imobilização com gesso

Complicações

Lesão do nervo espinhal acessório, veias jugulares, vasos carotídeos e nervo facial

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Última modificação porMarcioR4
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