Hérnia Discal Cervical

Definição

Perda da arquitetura habitual do disco intervertebral, que pode levar a uma compressão da medula e/ou de suas raízes.

Epidemiologia

1,4 ♂: 1♀
Fatores associados: levantamento de grandes pesos, cigarro, mergulhos trampolim e saltos
Freqüentemente esta associada com discopatia lombar.
Maioria no sexto interespaço C6/C7 (70%), segundo no quinto interespaço (24%).
Esporões foraminais mais freqüentemente no sexto interespaço (48%).

Etiologia / Fisiopatologia

Relacionada a discopatia degenerativa, evoluindo com a expulsão franca de material nuclear.
À medida que a degeneração discal ocorre, a hipermobilidade do segmento pode resultar em instabilidade ou alterações artríticas degenerativas.

Quadro Clínico

Três grupos de sintomas principais: relacionados à coluna, a compressão radicular e sintomas de mielopatia.
As queixas podem ser referidas como dor no ombro, escápula, pescoço, etc…
Pode simular doença cardíaca com dor torácica e no braço.
Mielopatia: dor mal localizada e contínua. Pode haver dor aguda com a extensão do pescoço (sinal de Lhermitte descrito para esclerose múltipla).

Exame Físico

– Ruptura do disco entre C4 e C5 acomete a raiz de C5 -> fraqueza do deltóide e bíceps; reflexo biciptal pode estar diminuído (também recebe inervação de C6); sensibilidade diminuída na face lateral do braço.
– Ruptura entre C5-6 acomete C6 -> fraqueza bíceps e extensores radiais; o reflexo do braquioestilorradial pode estar diminuído assim como o biciptal; sensibilidade antebraço proximal lateral, polegar e indicador.
– Ruptura entre C6-C7 acomete C7 -> fraqueza do tríceps, extensor comum dos dedos e flexor radial do carpo, flexor ulnar é mais indicativo de C8; reflexo tricipital pode estar diminuído; sensibilidade diminuída no dedo médio.
– Ruptura entre C7-8 acomete raiz de C8 -> fraqueza da musculatura interossea da mão; sensibilidade perdida na borda ulnar da mão; sensibilidade diminuída na face medial do cotovelo.

Examinar as extremidades inferiores em busca de sinais de mielopatia. Os primeiros e mais proeminentes sintomas são de compressão do trato corticospinal: clônus sustentado, reflexos hiperativos e sinal de Babinski (achados menores: espasticidade, fraqueza e diminuição da propriocepção).

– No membro superior lembrar do sinal de Hoffman.
– Sinal da abdução do ombro com flexão do cotovelo (acima da cabeça) -> diminuída dor da compressão radicular, se aumentar pode indicar síndrome compressivas periféricas ou doença no ombro.
– Espasmo muscular para cervical.
– Teste da distração: alivia a dor radicular e aumenta se houver lesão ligamentar. Distração com flexão alivia a dor mais tipicamente de esporões hipertróficos, também de núcleo pulposo herniado.

Exames de imagem

Radiografia: perda da lordose cervical, estreitamento dos espaços discais e alterações hipertróficas. Oblíquas podem mostrar compressão foraminal.

Ressonância magnética: é o principal exame subsidiário, problema é o falso positivo.

Eletroneuromiografia: quando ressonância magnética inconclusiva e antes de solicitar mielografia.

Discografia: técnica controversa.

Mielografia: quando componente dinâmico de compressão.

Classificação

A doença de disco cervical foi classificada por Odum em quatro tipos:
– Unilateral de disco mole.
– Esporão foraminal.
– Protrusão medial de disco mole.
– Crista transversa ou espondilose cervical com compressão da medula.

Diagnóstico Diferencial

Extrínsecos:
– Síndrome do desfiladeiro torácico.
– Síndrome do túnel do carpo.
– Síndrome do túnel ulnar.
– Tumor de tórax.
– Processos degenerativos.
– Síndrome da articulação temporomandibular.

Intrínsecos:
– Processo de generativo do disco complicando com hérnia de disco e artrite hipertrófica.
– Fatores congênitos como estenose de canal medular.
– Tumores.
– Fratura.

Tratamento

Maioria responde bem ao tratamento clínico, mesmo aqueles com fraqueza muscular não progressiva.
– Períodos curtos de repouso, massagem, gelo, AINH e mobilização ativa assim que possível.
– Tração cervical em posição de alívio da dor e nunca exceder 4,5 kg.
– Modificações posturais e ergonômicas.
– Órtese cervical.

Tratamento cirúrgico

Falha tratamento clínico (pelo menos 6-8 semanas), déficit neurológico progressivo, mielopatia cervical que previsivelmente progredirá. Maioria por dor persistente.

Atualmente o tratamento de escolha, quando o disco é removido anteriormente, consiste na discectomia cervical anterior com fusão para evitar o colapso do espaço discal e prevenir movimento cervical doloroso. E foraminotomia é o procedimento de escolha quando o disco é retirado posteriormente.
– Via posterior para discos laterais moles.
– Discos centrais moles ou duros via anterior.

Lembrar da via de acesso anterior de Smith e Robinson: discectomia ântero-lateral com fusão intersomática com enxerto. O trajeto do nervo laríngeo recorrente não é tão constante do lado direito, por isso muitos cirurgiões preferem o lado esquerdo.

Pós-operatório

Alta quando paciente é capaz de andar e urinar. Alivio da dor radicular é rápido. Trabalho braçal após seis semanas. Colar cervical macio para ajudar na dor pós-operatória.

> Arquivos de Apresentações em ppt
> Arquivos de Resumos em pdf


Última atualização porMarcioR4

Deixe uma mensagem