Lesões da cintura escapular

A cintura escapular está intimamente ligada à articulação do ombro, que é uma articulação bem susceptível a lesões.

, Lesões da cintura escapular, Ortopedista Especialista em Ombro de Brasília - DF

Lesões da cintura escapular

Lesões frequentes desse complexo articular envolvem fratura de qualquer osso relacionado ao ombro ou à cintura escapular, como da clavícula, estiramentos ligamentares, lesões do manguito rotador, rupturas de lábios da cavidade glenóide, e outras condições agudas ou crônicas.

A dor relacionada a essas lesões pode ser aguda ou crônica, a depender da duração da lesão, e está relacionada ao processo inflamatório gerado pela lesão, bem como pelas compensações geradas pelo sistema a partir do desequilíbrio inicial.

Essas lesões frequentemente causam, além da dor, redução da amplitude de movimento, e redução da capacidade funcional, e podem ser muito debilitantes, chegando a impossibilitar o uso dos membros superiores, sendo queixas muito frequentes nos consultórios dos fisioterapeutas.

As lesões mais comuns desse complexo são as lesões do manguito rotador. Dentre as lesões comumente encontradas na prática clínica relacionadas a esse segmento encontram-se:

· Síndrome do impacto: a síndrome do impacto nada mais é do que uma tendinite do supraespinhoso. Esse tendão passa exatamente abaixo da articulação acrômio-clavicular, e pode ser pressionado caso o posicionamento do ombro não esteja adequado durante a realização de algumas atividades que envolvam amplitudes de movimentos maiores dessa articulação, provocando rotura do manguito rotador.

· Tendinite de bíceps: frequentemente causada por padrões posturais incorretos, dentre eles a protusão de ombros, ou por excesso de uso do músculo, essa lesão é caracterizada por dor na região anterior da cabeça do úmero, que senão tratada pode levar a ruptura do tendão do bíceps.

· Escápula alada: causada geralmente pela paralisia do serrátil anterior, devido à lesão no nervo torácico longo, ou por paralisia do trapézio, gerada pela lesão do nervo espinhal acessório. A lesão desses nervos pode ser devido a procedimentos cirúrgicos, traumas, ou mesmo por desuso desses músculos. A escápula perde então a aderência ao tórax, se tornando pontuda, formando uma espécie de asa nas costas. Também pode ser causada por uma anomalida congênita denominada deformidade de Sprengel.

Anatomia da Cintura escapular

Para entender melhor sobre a importância da cintura escapular e sobre os mecanismos que levam a uma lesão desse segmento corporal, vamos primeiro falar um pouco sobre a sua anatomia.

A cintura escapular é composta por quatro ossos, duas clavículas, uma de cada lado, e duas escápulas, também uma de cada, lado. Os dois lados da cintura escapular são conectados anteriormente pelo esterno, único osso em número ímpar desse complexo, que se articula com as clavículas, e são a única conexão da contura escapular com o resto do esqueleto.

Posteriormente, as duas escápulas são conectadas pelo músculo rombóide, formando assim um verdadeiro cinturão de ombro a ombro, mas de forma diferente do quadril, que é mais estável, composto por um único osso contínuo.

O complexo do ombro como um todo é composto três ossos, diversos músculos, e quatro articulações principais.

Os ossos que fazem parte da articulação do ombro são o úmero, que é o osso do braço, a escápula, o osso em forma de asa atrás dos ombros, e a clavícula, ou osso do colo.

O esterno, esse ossinho no meio do tórax serve de conexão anterior para a cintura escapular e de auxílio para os movimentos do ombro, e as costelas se articulam com a escápula, permitindo sua movimentação, formando um conjunto complexo e interdependente.

As articulações do ombro são:

  • Articulação acrômio-clavicular: é a articulação entre a escápula e a clavícula.
  • Articulação gleno-umeral: é a articulação entre o úmero e a escápula.
  • Articulação escapulo-costal: é a articulação entre a escápula e as costelas.
  • Articulação esterno-clavicular: é a articulação entre o esterno e a clavícula.
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Os músculos que compões a cintura escapular são o serrátil anterior, o peitoral menor, o levantador da escápula, o rombóide, e o trapézio.

  • Serrátil anterior: sua função é a de abdução da escápula, e por seu deslizamento anterior.
  • Peitoral menor: o peitoral menor é responsável pela protração e cotação superior da escápula, e trabalha em conjunto com o serrátil anterior para produzir protração pura da escápula, sem o componente rotacional.
  • Levantador da escápula: é o músculo utilizado no movimento de levantar os ombros, em conjunto com o trapézio. Ele pode ainda auxiliar nos movimentos de extensão e flexão lateral da coluna cervical.
  • Rombóides: os rombóides são os músculos que conectam as escápulas nas costas, responsáveis pela adução das mesmas.
  • Trapézio: o trapézio é um músculo bem grande, dividido em quatro partes. Ele está envolvido no levantar de ombros e em diversos movimentos da cabeça.

A estabilidade da cintura escapular como um todo depende da ação sinérgica e organizada desses músculos, bem como de sua correta ativação.

É fundamental o treina de estabilidade da cintura escapular para a manutenção das estruturas do ombro em seu lugar correto, para permitir a correta função da articulação do ombro, e para fazer com que esse segmento fique livre de lesões e sintomas de sobrecarga.

Movimentos realizados pela cintura escapular

A partir da sua posição neutra, a cintura escapular realiza rotação em torno de um eixo vertical no final da clavícula, no ponto onde se localiza a articulação esterno-clavicular.

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Durante esse movimento existe um movimento da escápula sobre as costelas de forma que esse osso chega a se mover cerca de 15 centímetros lateralmente, fazendo com que a cavidade glenóide sofra uma rotação de 40 a 15º do plano horizontal.

Quando a escápula é movida medialmente, ela forma um plano frontal com a cavidade glenóide voltada lateralmente. Nessa posição, o ponto lateral mais distal da clavícula roda posteriormente, e o ângulo da articulação acrômio-clavicular se abre ligeiramente.

Quando a escápula de move lateralmente, ela se encontra no plano sagital, com a cavidade glenóide voltada anteriormente. Nesse caso, a parte lateral mais distal da clavícula é rodada anteriormente, e a clavícula em si fica sobre o plano frontal. Ao mesmo tempo em que esse movimento reduz o ângulo entre a clavícula e a escápula, ele expande o ombro.

A escápula ainda pode realizar os movimentos de elevação e depressão a partir da sua posição neutra. Esses movimentos podem ter amplitudes de até 12 centímetros.

Na posição de máxima elevação escapular, a cavidade glenóide de volta para cima, gerando uma rotação externa da escápula, movendo seu ângulo inferior em até 12 centímetros, e seu ângulo lateral em até seis centímetros.

Ritmo gleno-umeral

O ritmo gleno-umeral, também chamado de ritmo escapulo-umeral, é a interação cinemática entre os movimentos da escápula e do úmero, fundamental para o adequado funcionamento do ombro.

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O trabalho conjunto das quatro articulações do ombro citadas nas sessões anteriores resulta em padrões complexos e coordenados de movimentos do ombro. Os movimentos de cada articulação envolvida são contínuos, porém, ocorrem em taxas diferentes, e diferentes fases da movimentação dos braços.

O movimento da escápula, por exemplo, consiste em rotações desse osso em relação ao tórax. As movimentações da escápula contribuem, em certos níveis, para a movimentação do ombro.

A escápula contribui tanto na flexão anterior quanto na abdução de ombro rodando a cavidade glenóide de 50 a 60º a partir da sua posição de repouso. A articulação gleno-umeral é responsável pelo restante do movimento.

Na realização da abdução de ombro, por exemplo, a articulação gleno-umeral contribui por algo entre 90 a 120º da amplitude de movimento. A combinação dos movimentos escapulares e umerais é que resulta na amplitude de movimento total de abdução do ombro, que vai de 150 a 180º. É o ritmo de movimento entre o úmero e a escápula, portanto, que irá permitir uma amplitude de movimentação total do ombro de forma coordenada, o chamado ritmo gleno-umeral.

O ritmo gleno-umeral é, portanto, a taxa de movimento gleno-umeral em relação ao movimento da articulação escapulo-torácica durante os movimentos do braço. Essa taxa é obtida dividindo-se o total da elevação do ombro, seja lateral ou anterior, pela rotação superior da escápula, medida em seu ângulo inferior.

Em um ombro normal, essa relação, ou taxa, é de 2:1, ou seja, a cada dois graus de elevação do úmero, temos um grau de rotação escapular.
Qualquer alteração nessa taxa pode causar prejuízo no movimento do ombro, redução de amplitude de movimento, e perda de funcionalidade.

Tratando disfunções da cintura escapular

A cintura escapular é responsável pelo posicionamento das mãos, estabilidade dos braços, e ainda permite que os movimentos dos membros superiores sejam realizados de forma completa, funcional, e coordenada. Portanto, qualquer disfunção dessa estrutura pode gerar inúmeros problemas.

O tratamento dessas disfunções é imperativo para a restauração da funcionalidade normal dos braços, e consiste, basicamente, na estabilização da cintura escapular.

Como a cintura escapular é uma estrutura complexa, devido ao grande número de músculos e articulações que fazem parte do conjunto e atuam no movimento dos ombros, ela exige uma atenção especial em relação ao fortalecimento dos músculos ao seu redor.

A estabilização desse segmento envolve, portanto, exercícios dinâmicos que trabalhem diversos músculos ao mesmo tempo, pois são as ações conjuntas desses músculos que conferem a estabilidade ao ombro.

Dentro os exercícios de fortalecimento e estabilização da cintura escapular encontram-se os exercícios que trabalham a mobilidade escapular, que trabalhar os músculos do manguito rotador, e que envolvem descarga de peso nos braços, como as pranchas.

Um dos métodos mais completos da atualidade que trabalham a estabilidade da cintura escapular é o Pilates, com diversas exercícios e aparelhos que trabalham a articulação do ombro em cadeia fechada, permitindo o uso de diferentes músculos ao mesmo tempo, propiciando um correto equilíbrio entre fortalecimento, flexibilidade e estabilidade à articulação do ombro.

É importante o envolvimento de um profissional especializado no tratamento e no trabalho preventivo de lesões para a cintura escapular.

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Referências:
A Síndrome do ombro doloroso e as principais patologias que causamdisfuncionalidades na cintura escapulare o impacto socioeconômicodesses distúrbios
Fortalecimento dos estabilizadores da cintura escapular na dor no ombro: revisão sistemática.

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A Clínica Salus Ortopedia, Fisioterapia e Acupuntura em Brasília / DF foi criada para atuar no tratamento das afecções osteomusculares, principalmente no tratamento de lesões de cartilagem, buscando sua reparação e transplante; rupturas ligamentares articulares e sua reconstrução biológica e prevenção; tratamento da artrose, com medidas medicamentosas e artroplastias; tendinites e rompimento de tendões provocados tanto por atividades esportivas, como por alterações degenerativas; fraturas e luxações em todas as idades, com foco em idosos que apresentam ossos mais frágeis; e enfoque na reabilitação muscular e postural.

4 Comments

Monyck

Tenho uma dor crônica secundária a escoliose que afeta a cintura escapular. Quais músculos, tendões ou ligamentos podem ser afetados?

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Ombro-Brasília

Monyck todos os músculos que movimentam a escápula: https://traumatologiaeortopedia.com.br/informe/protracao-e-retracao-da-escapula/ Do lado da concavidade alguns terão mais retração que outros do outro lado, na convexidade da escoliose. Tem de ser realizado um trabalho global: https://pertodemimdf.com.br/fisioterapia/tratamento-fisioterapico-para-escoliose/

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Manoel Lourenço Da Costa Pereira

Como devo fazer para conseguir este material completo

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Ombro-Brasília

Manoel, tem as aulas aqui: https://traumatologiaeortopedia.com.br/materia/ombro/

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