Pé paralítico

Paralisia cerebral espástica: deformidade dos pés quase sempre presentes

Deformidade em eqüino

Alta incidência na PC espástica
– Funcional: espasticidade do tríceps sural
– Fixo: encurtamento muscular
– Deve ser tratada: a longo prazo -> metatarsalgia e dor

– Diferenciação pelo exame físico
– – Posição inicial
– – Inversão para bloquear a talonavicular e evitar a dorsiflexão no nível da mediotarsal
– – Extensão da perna
– – Tenta-se dorsifletir o pé: se não for possível -> encurtamento (sinal de Silfverskiöld)

Tratamento

Até 2 anos: fisioterapia e órtese antiequino
– – Toxina botulínica: casos com maior deformidade para postergar cirurgia
Nos mais velhos: tratamento conservador pode não ser suficiente
– Cirurgia
– – Objetivo: enfraquecer o tríceps sural
– – Hiperalongamento: gera deformidade em calcâneo que é pior
– – Pré-requisito: potencial para marcha, presença de força do tríceps e ausência de contratura em flexão do quadril
– – Pode-se indicar a correção dos pés e tornozelos também nos não andadores

– Técnicas
– – Vulpius: atua somente no gastrocnêmio com preservação do solear
– – – Corrige contratura sem reduzir força propulsora do tríceps
– – – Alongamento por deslizamento: recidiva maior antes dos 4 anos de idade
– – – Para deformidades leves
– – Zetaplastia:
– – – Deformidades graves: 1,5 cm de altura do calcanhar ao solo
– – – Para crianças mais velhas

Deformidade em varo

Mais comum nos hemiplégicos
– Causada pelo desequilíbrio entre o tibial posterior e os fibulares
– – Tibial posterior: responsável pelo varo do retropé
– – Tibial anterior: responsável pelo varo e supinação do mediopé
– – Marcha com apoio na borda lateral

Tratamento

– Inicialmente com órteses se < 4 anos
– > 4 anos sem controle da espasticidade: tratamento cirúrgico
– – Avaliação:
– – – Se varo na fase de balanço -> hiperatividade do tibial posterior
– – Flexibilidade da deformidade:
– – – Não flexível: insucesso se procedimentos de partes moles isolado
– – – Fazer osteotomia: mais utilizada: Dwyer
– – Se diferença no tamanho das colunas medial e lateral: correção das colunas

– Técnicas de correção:
– – Alongamento supramaleolar do tibial posterior: bons resultados mas pouco utilizada
– – Tenotomia intramuscular do tibial posterior no 1/3 médio: crianças < 6 anos
– – Tenotomia do tibial posterior com transferência para o dorso do pé
– – – Pode gerar deformidade invertida
– – – Resultado não são bons
– – Transferência do hemitendão do tibial posterior para o fibular curto: muito utilizada
– – – Corrige dinamicamente o varismo do retropé e adução do mediopé e antepé

Deformidade em valgo

Mais comum na diplegia espástica
– Desequilíbrio entre o tibial posterior fraco e os fibulares espásticos
– Pode ser decorrente da fraqueza do tibial posterior
– Deformidade: calcâneo em equino e eversão, abdução do mediopé e proeminência da cabeça do talo medialmente
– Geralmente há frouxidão ligamentar e o pé é flexível até a adolescência
– Graduação clínica do valgismo do retropé: linha do eixo da tíbia X linha do retropé
– – < 10º: leve
– – 10-15º: moderado
– – > 15º grave

Gravidade radiológica
– RX perfil
– – Ângulo de equino do calcâneo > 10º
– Flexão plantar do tálus
– – 35º-40º: leve
– – 40-50º: moderado
– – > 50º: grave

Tratamento conservador: até os 4 anos

Tratamento cirúrgico: entre 5-7 anos
– Se valgo do retropé isolado: tratamento da subtalar
– Grice: artrodese subtalar extra-articular
– Osteotomias posteriores do calcâneo
– Se valgo do retropé + abdução do mediopé: redução da subtalar + alongamento da coluna lateral
– Osteotomia de alongamento do calcâneo anterior de Evans

– Opções para o tratamento cirúrgico
– – Alongamento do tendão calcâneo ± alongamento dos fibulares
– – Grice: artrodese subtalar extra-articular com enxerto de ilíaco
– – – Entre 5-10 anos com deformidades redutíveis
– Osteotomia anterior do calcâneo: Evans
– Osteotomia de deslizamento medial: Dwyer
– Artrodese tríplice: > 10 anos de idade com deformidades graves e não redutíveis
– Tornozelo valgo: pode-se fazer epifisiodese medial da tíbia distal ou osteotomia supramaleolar varizante

Deformidade em calcâneo

Rara na PC e de resolução difícil
– Geralmente por hiperalongamento do tendão calcâneo

Tratamento: plicatura do tendão ou tenodese de Westin

Deformidade em cavo, cavovaro ou calcaneocavo

Pé cavo: raramente visto na PC

– Entre 5-10 anos:
– – Cirurgia de Grice para estabilizar o retropé
– – Transferência dos fibulares e dos tibiais posterior e anterior para o calcâneo
– – Associa-se a fasciotomia de Steindler

– Nas maiores e com deformidade grave: artrodese tríplice associada a Steindler


Última atualização porMarcioR4

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