Prevenção de lesões esportivas

As lesões podem ser devastadoras para atletas amadores, recreativos ou profissionais, mas, infelizmente, nem todos têm uma estrutura para se protegerem. Medidas preventivas, sempre que possível, devem ser adotadas dentro da realidade individual de cada um.

O que deve ser considerado na prevenção de lesões?

A prevenção de lesões esportivas deve considerar o esporte praticado, nível de competitividade, idade, gênero, histórico individual de lesões, preparação física e carga de treino. A prevenção de lesão de um jogador de futebol sênior de fim de semana não deve ser vista da mesma forma que em um jogador profissional do mesmo esporte, afinal as demandas são diferentes e os fatores de riscos também.

Mesmo ao se considerar dois atletas no mesmo esporte e no mesmo nível de competição, diferentes fatores de risco serão encontrados e poderão exigir diferentes medidas preventivas.

O retorno esportivo após uma lesão ou no início da temporada é um momento especialmente sensível quanto ao risco de uma nova lesão. O atleta perde condicionamento físico, perde o controle neuromuscular e, se for colocado diretamente em uma partida competitiva, a possibilidade de uma nova lesão será elevada. O recomendado é que não se aumente mais do que 15% da carga de treino a cada semana.

A avaliação e estruturação do programa de prevenção devem, sempre que possível, ser pensado para cada atleta individualmente, mas isso envolve custos que nem todo clube ou atleta está em condições de assumir.

Alternativamente, programas de prevenção baseadas no esporte ou no tipo de lesão buscam corrigir os fatores de risco mais frequentemente identificados na modalidade. São amplamente difundidos e facilmente encontrados em uma rápida pesquisa na internet. Ainda que nem sempre reflitam com exatidão as necessidades individuais de cada atleta, estes programas são mais acessíveis e costumam ter um bom custo benefício. Estudos demonstram que, de fato, podem ser bastante eficazes.

O mais difundido destes programas é o FIFA 11+, desenvolvido pelo departamento médico da FIFA com base nas lesões mais vistas no futebol. Estudos demonstram que o FIFA 11+ é capaz de reduzir em até 50% as lesões de maior gravidade, como as lesões musculares ou o rompimento do ligamento cruzado anterior.

Fatores de risco para lesões

Muito se fala em “exercícios preventivos” para evitar lesões esportivas. Mas, de fato, eventuais fraquezas e desequilíbrios musculares (os quais são abordados por estes programas) são apenas um dos fatores de risco para lesões. A prevenção deve ir muito além disso.Os fatores de risco podem ser divididos em dois grupos:

  • Fatores intrínsecos: são aqueles próprios do atleta, incluindo fatores anatômicos, desequilíbrios e fraquezas musculares, mobilidade das articulações;
  • Fatores extrínsecos: fatores que não estão diretamente relacionados ao corpo do atleta, incluindo a carga de treinamento, equipamentos esportivos, instalações esportivas e fatores climáticos.

Em seguida, estes fatores podem ser divididos em outros dois grupos, os modificáveis e os não modificáveis, conforme a tabela abaixo:

ModificáveisNão modificáveis
IntrínsecosDesequilíbrios musculares
Fraqueza
Restrições articulares
Período do ciclo menstrual
Anatomia individual
Raça
Idade
Lesões prévias
ExtrínsecosCarga de treino
Tipo de terreno
Regulamento esportivo
Equipamentos esportivos
Fatores climáticos

Fraqueza e desequilíbrio muscular

Independentemente da modalidade esportiva, é inerente do esporte a realização de movimentos repetitivos, nos quais algumas musculaturas são muito estimuladas e outras não. Quando isso não é adequadamente abordado por meio da preparação física, é comum que os atletas desenvolvam desequilíbrios ou fraquezas musculares, o que contribui para a ocorrência de lesões.

Avaliações de força como a dinamometria e teste do movimento ajudam a identificar eventuais deficiências e, assim, a direcionar o trabalho de prevenção. Na indisponibilidade destes testes, muitos programas acabam por generalizar as deficiências mais comuns no esporte em questão. Estas deficiências, ainda que não sejam comuns a todos os atletas, tendem a seguir um padrão para a modalidade.

Carga de treino

A adequação da carga de treino é fundamental para se evitar as lesões no esporte de alto rendimento. A maior parte das lesões ocorre justamente na parte final do treino ou jogo, quando o atleta está mais fadigado. Outra situação de risco é no retorno de um período de afastamento após férias ou lesão, quando o preparo físico é mais limitado.

Nestas condições, a musculatura cansada não responde adequadamente aos comandos do atleta, o que compromete a execução de movimentos. Além disso, a fadiga prejudica a capacidade de tomada de decisão, a coordenação e o controle neuromuscular. Estudos mostram uma relação clara entre carga de treino e risco de lesão.

Esta carga pode ser considerada de duas formas:

  • Carga externa: é o estímulo que é feito pelo atleta. Por exemplo, correr 10 quilômetros a 14 km/h.
  • Carga interna: representa a forma como o corpo reage a determinado estímulo. Pode ser medido, por exemplo, por meio da frequência cardíaca ou o grau subjetivo de fadiga.

O risco de lesão está diretamente relacionado à carga interna. Uma carga interna elevada significa que o corpo está trabalhando próximo do seu limite e que, cedo ou tarde, este limite tende a ser ultrapassado. Ou o atleta precisa se preparar melhor fisicamente, ou a carga externa ao qual ele é submetido precisa ser reduzida. Geralmente, os dois são necessários.

O gráfico acima mostra a relação entre a carga de treino, a performance, a preparação física e o risco de lesões. Na zona azul, o paciente apresenta carga insuficiente de treino. O risco de lesão é baixo, mas o paciente perde condicionamento físico e prejudica o desempenho esportivo; a zona verde mostra o melhor custo benefício de treino em relação a desempenho esportivo e risco de lesão; a zona amarela ainda é possível ter um ganho extra, mas o risco passa a aumentar. Finalmente, a zona vermelha representa um estágio de overtraining. O desempenho cai e o risco de lesão aumenta.

Um programa eficaz de gerenciamento de carga de trabalho ajuda a reduzir o risco de lesões, detectando fadiga excessiva, identificando suas causas e ajustando os períodos de recuperação, treinamento e competição, com base nos níveis atuais de fadiga do atleta.

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