Tendinite calcária

Conceito

Patologia caracterizada por um processo inflamatório com fases de agudização que acometem o manguito rotador, principalmente o tendão supra-espinhal. Também conhecida como Moléstia de Duplay.

Etiologia

Desconhecida. Codman propôs teoria vascular em que a degeneração das fibras precedem a calcificação. Zona avascular próximo a inserção do supra-espinhal (zona crítica de Codman). Outros autores não demonstraram essa relação. A maioria dos depósitos de cálcio no tendão parece ocorrer no lado articular.

Epidemiologia

Mulheres > 50 anos, mas podem acometer atletas entre 30-50 anos
Bilateral em 20% casos.
± 60% assintomáticos
– 35-45% tornam-se sintomáticos
– Não relacionada a doença sistêmica ou trauma
– Sem relação com ruptura do manguito rotador

Fisiopatologia

Tem 3 fases:

1ª fase – Estágio de pré-calcificação – o local da calcificação sofre metaplasia fibrocartilaginosa. Assintomáticos.

2ª fase
– Estágio de calcificação: o cálcio deposita-se em vesículas na matriz. Essa parte inicial é conhecida como fase de formação. Com a fusão das vesículas na matriz em depósitos maiores, a fibrocartilagem é substituída e erodida. O paciente entra em uma fase de repouso – a dor pode ser mínima e termina com o início da fase de reabsorção – onde surgem canais vasculares na periferia do depósito, seguidos de reabsorção do cálcio – esse estágio é muito doloroso (deve ser tratado). A essa altura os depósitos de cálcio assemelham-se a pasta de dente. Como o cálcio é absorvido, o espaço morto é preenchido por tecido de granulação.

3ª fase – Fase de reconstituição (pós-depósito): Tecido de granulação amadurece e transforma-se em colágeno, refazendo o tendão.

Fases de Sarkar e Uhthoff – resumindo
Fase I: Pré-calcificação: metaplasia na área que será calcificada
– Geralmente assintomático
– onde ocorrerá calcificação há transformação fibrocartilaginosa
Fase II: Calcificação
– Dividida em:
– – Fase de formação: cálcio depositado coalesce em depósitos grandes
– – – RX calcificação homogênia e bem delimitada
– – Fase de descanso: dor mínima e RX com aparência bem delimitada dos depósitos
– – Fase reabsortiva: dor intensa
– – – Depósito fica similar a pasta de dente
– – – Espaço morto é preenchido com tecido de granulação
– – – Depósitos nas fases reabsortiva não aparecem muito ao RX
Fase III: Pós-calcificação: tecido de granulação matura em colágeno

Diagnóstico

Rx, USG e RM

– RX AP neutro: calcificação do supra-espinhoso
– RX AP com rotação interna: calcificação do infra-espinhoso e redondo menor
– RX AP com rotação externa: calcificação do subescapular (menos acometido)

Classificação radiológica de DePalma
– Tipo I: periferia mau definida
– – Imagem em crescente: ruptura para a bursa (só ocorre neste tipo)
– – Geralmente vista na fase aguda
– – Tipo II: mais ou menos discreto e homogêneo
– – Densidade uniforme com periferia bem definida
– – Visto nas formas subagudas e crônicas

Classificação de Bosworth
– Pequena (até 0,5 mm)
– Média (0,5-1,5 mm)
– Grande (> 1,5 mm): maior chance de ter sintomas

Avaliação laboratorial
– Não há alterações do cálcio e fósforo
– VHS normal
– Deve-se determinar os níveis de glicemia e ácido úrico durante o rastreamento

Diagnóstico diferencial

– Calcificação distrófica: calcificação vista na ruptura do manguito
– Calcificação entre a cabeça umeral e o acrômio

Tratamento

Conservador

90%
– fisioterapia, exercícios, corticóides, bloqueios nervosos, AINES. Nenhum destes métodos tem eficácia comprovada.

AINH: indicados na fase aguda e subaguda e não na fase crônica

Infiltração de corticoesteróides intrabursal: nunca feito na presença de sintomas crônicos
– Pode ser feito na presença de impacto com sintomas subagudos
– Na fase reabsortiva: pode parar a reabsorção e dar recidiva dos sintomas

Cirúrgico

– Indicações:
Progressão dos sintomas
Dor que interfere com as atividades quotidianas
Ausência de melhora depois do tratamento conservador

Perfurações guiadas por fluoroscopia – marca a pele da região com maior sensibilidade. Coloca a agulha e as partículas de cálcio são empurradas para o interior da agulha. Usar anestésico local. Injeções de hidrocortisona são úteis. Quando o líquido da seringa ficar limpo, usar agulha de calibre maior.
Tratamento pós-perfuração – exercícios pendulares antes de terminar a anestesia local e repetir de 2-2hs. Bolsa de gelo no ombro. Nos primeiros 2-3 dias, iniciar a fisioterapia, incluindo exercícios ativos. AINES por 5-7 dias. O alívio é melhor quanto maior o depósito.

Excisão do depósito de cálcio – Incisão do deltóide com acesso ao manguito rotador. Evitar o nerbo axilar. Curetagem completa da área necrosada do tendão até o cálcio. Se o depósito muito profundamente, fazer incisões paralelas através do tendão até localizar o cálcio e punção com agulha nº18.
Tratamento pós-operatório: fisioterapia

Técnica artroscópica (melhor) – uso de lâmina oscilatória para retirar o cálcio. Acromioplastia e liberação do ligamento coracoacromial em paciente com evidência pré-operatória de impacto.

Complicações

– Extensão óssea: geralmente tem dor resistente a tratamento conservador
Tendinite biciptal
– Ombro congelado
– Ruptura do manguito rotador

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Última atualização porMarcioR4

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