Lesão SLAP no ombro

É a lesão do lábio superior da glenóide no local da origem do cabo longo do tendão do músculo biceps braquial. SLAP = Superior Labral Anterior and Posterior lesion.

Anatomia

O lábio glenoidal é muito bem vascularizado pelas artérias supraescapular, subescapular e circunflexa posterior, exceto na sua porção ântero-superior, o que pode ser uma das causas destas lesões, principalmente das degenerativas.

Fisiopatologia

– Forças de tração geradas pelo tendão bicipital no lábio da glenóide podem ocasionar estas lesões.
– Após lesão a contínua contração bicipital pode contribuir com a falha da cicatrização local, bem como a pobre vascularização desta região.
– É mais comum em atletas jovens arremessadores.

Mecanismo de trauma

– Trauma clássico: trauma do membro em abdução de 30o e flexão de 70o com cotovelo em extensão.
– Queda com o braço em flexão comprimindo a articulação enquanto o bíceps contrai.
– Mecanismo de peel-back e de tração (arremessadores): o arremessador aumenta progressivamente com o treinamento a capacidade de rotação externa para aumento da força do arremesso, ocasionando assim uma torção bicipital no seu local de origem no lábio glenoidal, podendo ocasionar seu descascamento posterior (peel-back) que com a seqüência do arremesso ira continuar a lesão para região anterior.
– Trauma em hiperflexão.

Doenças associadas

– Contratura capsular póstero-inferior: aumento do stress labral póstero-superior
– Impacto póstero-superior da glenóide
– Lesão de Bankart (22%)
– Instabilidade glenoumeral (9%)
– Lesão do manguito rotador (completa 11% e parcial 29%)
– Cisto supra-glenoidal (pode comprimir o nervo supra-escapular)

Classificação de Snyder

– Tipo 1: degeneração do lábio superior da glenóide
– Tipo 2: destacamento do tendão bicipital e lábio superior da glenóide / é o tipo mais comum / conhecido como “thrower’s slap”
– Tipo 3 : lesão do lábio glenoidal superior em alça de balde
– Tipo 4: lesão do lábio glenoidal superior em alça de balde com extensão para o tendão bicipital

Quadro clínico

– Dor inespecífica com “click doloroso”
– Quadro de instabilidade glenoumeral
– Síndrome do “dead arm” ou síndrome do braço morto em que ocorre perda súbita da força do membro no movimento de arremesso
– Melhora ao repouso
– Diagnóstico de exclusão (diagnóstico clínico muito difícil)
– Palm up ou Speed test
– Teste de O’Brien
– Teste do SLAP
– Teste do deslizamento anterior

Exames complementares

A ressonância magnética pode fazer o diagnóstico, porém pode ser confundido com variações anatômicas, com alto índice de falso-positivo e falso-negativo. A artro-ressonância magnética é o exame de escolha, porém o diagnóstico final é dinâmico por via artroscópica e vizibilização direta da degeneração local e/ou dois sinais principais:
– Sinal do drive-through: a passagem da ótica pelo espaço glenoumeral é fácil e observa-se afastamento da cabeça umeral em relação a glenóide.
– Sinal do pell-back: ao movimento de rotação externa observa-se o afastamento dinâmico do lábio glenoidal do ápice da glenóide maior que 0,5 cm.

Tratamento

Conservador: é o tratamento inicial de escolha nos tipos 1 e 2 com fisioterapia de fortalecimento para estabilização dinâmica.
Cirúrgico: na falha do tratamento conservador ou para os tipos 3 e 4, e nos casos de cisto glenoidal com compressão do nervo supraescapular. O tratamento é artroscópico para debridamento (tipo 1 e 3) ou reinserção do lábio glenoidal (tipos 2 e 4). A tenotomia com ou sem tenodese pode ser uma alternativa para pacientes idosos.

Complicações

– Re-lesão
– Pull-out das âncoras
Capsulite adesiva
– Rigidez pós-operatória (falha técnica)
– Lesão condral / condrólise
– Lesão nervosa

Problemas no ombro do Atleta arremessador

fases do arremesso
Fases do arremesso:
01 – Posicionamento
02 – Preparação
03 – Armação precoce
04 – Armação tardia
05 – Aceleração
06 – Desaceleração

– Grupo I: dor secundária a impacto
– > 25 anos, sem sinais de instabilidade

– Grupo II: dor secundária a impacto por instabilidade do complexo ligamentar glenoumeral
– Lesão crônica ao complexo ligamentar anterior glenoumeral
– Sinais (+) para impacto e de teste de recolocação
– Sinais de rigidez capsular posterior – Instabilidade pode ser subclínica
– Se falha do tratamento conservador  avaliação artroscópica
– Acromioplastia é contra-indicada pois não corrige a doença de base

– Grupo III: dor secundária a impacto causado por hiperelasticidade generalizada
– Similar ao grupo II mas sem lesão definida do complexo ligamentar glenoumeral
– Frouxidão ligamentar generalizada
– Instabilidade multidirencional
– Tratamento: reabilitação prolongada – Reconstrução capsular anterior se necessário
– Não é necessário acromioplastia

– Grupo IV: dor que ocorre secundária a instabilidade sem impacto
– Geralmente após trauma – Instabilidade traumática, unidirecional
– Em jovens: cirurgia geralmente necessária e consiste em reparo de Bankart

– Grupo V: impacto interno
– Dor no ombro, geralmente posterior
– Sem evidência de instabilidade clínica – Teste de recolocação positivo
– Geralmente: lesão da borda da glenóide póstero-superior
– Tratamento conservador: reabilitação com ênfase não só do manguito mas dos estabilizadores da escápula
– Acromioplastia não corrige o problema se isolada

Exostose do arremessador

– osteófito da glenóide posterior
– associado a lesão parcial do manguito e labral – dor posterior do ombro
– tratamento: desbridamento do manguito e lesões labrais e ressecção do osteófito

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Última atualização porMarcioR4

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