Desenvolvimento motor normal

O bebê quando está dentro da barriga da mãe movimenta-se no líquido amniótico e tem a percepção desse ambiente. Ainda na barriga da mãe adota uma postura flexora com cifose das curvaturas da coluna vertebral.

Quando o bebê nasce, ele se depara com uma nova realidade: a presença da gravidade, que dificulta sua movimentação e a necessidade de desenvolver uma nova percepção do meio que o cerca.  O desenvolvimento motor apresenta uma sequência lógica e é acompanhado pelo desenvolvimento de outras capacidades, como cognitiva (pensamento, inteligência) e emocional. Vários fatores influenciam no desenvolvimento motor, como a mielinização  (amadurecimento do Sistema Nervoso), liberação de hormônios (Hormônios da tireoide, por exemplo) e estimulação ambiental, dentre outros. Dessa forma, embora existam idades específicas para o aparecimento das habilidades motoras, pode haver diferença entre uma criança e outra.       

De uma forma geral, as crianças tendem a diminuir a postura flexora com o tempo e com o desenvolvimento da musculatura; ainda evoluem de atividade reflexa para atividade voluntária e de atividades mais simples (bilaterais) para mais complexas. É possível verificar que os bebês desenvolvem primeiramente os movimentos do plano sagital (extensão/flexão), depois os movimentos do plano frontal (inclinações laterais de tronco) e finalmente os movimentos de rotação e contra rotação, no plano transverso.         

Em seguida segue uma breve descrição do desenvolvimento motor do ponto de vista biomecânico:

Postura pronado        

Nessa postura acontece a aquisição do 1º componente de movimento contra a gravidade, isto é, o desenvolvimento da força de extensão e controle do pescoço, tronco e quadris. Enquanto as atividades de extensão e a força aumentam, os flexores antagônicos são alongados através da inervação recíproca, se preparando para a ativação.  Os ligamentos anteriores nas articulações da coluna, quadris e extremidades são alongados e ganham mobilidade na extensão.

Recém-nascido       

Na postura prono: Por conta da posição fetal, apresenta-se em uma posição fletida e com uma hipertonia fisiológica durante o primeiro mês de vida. A Contratura de flexão nos quadris e cifose da coluna lombar e torácica fazem com que a face e a cabeça do recém-nascido sirvam como ponto de estabilidade.

Um mês        

A ação da gravidade estimula o desenvolvimento da extensão ativa contra a gravidade com rotação de pescoço ativando a musculatura do pescoço. Levantar a cabeça em prono proporciona o alongamento dos músculos anteriores do pescoço e contração dos posteriores.

Dois meses

Nessa fase o bebê é muito assimétrico e está presente o RTCA. Aos 2 meses, quando a extensão é forte, a criança tenta  usar ativamente a extensão torácica em prono para ajudar a elevar a cabeça usando a adução escapular através do trapézio (fibras medias) e rombóides.  Há alongamento do peitoral. A Abdução na horizontal do úmero fornece ampla base de suporte para a criança se estabilizar, elevar a cabeça e girar.         

A abdução dos quadris ajuda a descer a pelve em direção à superfície de apoio. Isso facilita a mudança do ponto de estabilidade da face para a parte superior do peito e antebraços, que assim encoraja o levantamento transitório da cabeça.

Três meses

Durante o terceiro mês ocorre a transição do período mais assimétrico para a simetria  no desenvolvimento da criança. A extensão antigravitária simétrica do pescoço e tronco é também adquirida no tórax e aparece na área inferior das coluna. Isso acontece quando o ponto de estabilidade dinâmica para a elevação da cabeça e o chutar das pernas é dado pelas costelas inferiores. O controle de extensão simétrica é essencial para a elevação da cabeça em linha média. O chutar ativo das pernas leva a ativação dos glúteos máximos,  reduzindo  a contratura do iliopsoas,  da porção   anterior  da cápsula do quadril. Forças de compressão são aplicadas ao colo e à cabeça do fêmur para diminuir coxa valga e para aumentar a profundidade do acetábulo se inicia.

Quatro meses

 A caixa torácica e a clavícula começam a se mover para baixo (estabilidade), permitindo  musculatura do pescoço ficar ativa. A escápula se move ao redor da caixa torácica e o úmero se move para frente com flexão umeral, adução e rotação neutra. O antebraço inicia do suporte e transferência de peso = Puppy curto. O ponto de estabilidade é na barriga e fêmur.

Cinco meses

A criança realiza apoio das mãos com os cotovelos estendidos (Puppy longo). O ponto de estabilidade e suporte do peso para a função da cabeça, mãos e movimento intencional das pernas chega na pélvis. Ocorre aumento da lordose lombar e anteroversão pélvica. A posição do sapo dá lugar à extensão de quadris, joelhos e tornozelos com adução dos quadris no lado sobrecarregado da pélvis e tronco. 

Seis meses

A criança usa o arrastar de barriga para se locomover.

Sete meses

O bebê consegue a posição mãos e joelhos (quatro apoios) com todas as extremidades abduzidas e alinhadas simetricamente. Balançar, para frente e para trás nessa posição, ativa a musculatura estabilizadora ao redor do quadril e aplica força compressiva na cabeça e colo do fêmur e no acetábulo.

Posição supinado

A posição supino é de grande estabilidade, oferecendo apoio para toda a cabeça e tronco. O controle e a força de flexão contra a gravidade se desenvolvem em uma direção céfalocaudal e seguem de perto o componente de extensão. A flexão é geralmente estabelecida um mês após a aquisição da força e controle de extensão do pescoço e tronco contra a gravidade. De acordo com a progressão, a extensão antigravitária é adquirida no quinto mês e a flexão é estabelecida durante o sexto mês.

Recém-nascido e Primeiro mês       

Flexão fisiológica, cabeça para o lado.

Segundo mês         

A assimetria torna-se evidente à medida que o RTCA se torna forte e consistente. O bebê de 2 meses em supino faz movimentos sem intenção em grandes amplitudes  de abdução, adução, e pequena amplitude de flexão do úmero. Os movimentos são possíveis, pois a cabeça, escápula e coluna são mantidas apoiadas. A gravidade e os movimentos realizados pela criança trabalham no alongamento dos peitorais, bem como ajudam na expansão da caixa torácica. Forças gravitacionais e chutar ao acaso se combinam para reduzir a contratura de flexão do quadril.

Três meses       

Postura simétrica e atividades bilaterais de extremidades superiores e inferiores são dominantes nesse período (movimentos  de braços e pernas).         

O bebê de três meses consegue manter a cabeça na linha média por longo período de tempo, consegue  olhar para baixo em direção ao peito, pois o queixo consegue  se mover para dentro e para trás (Thin tuck). Isso significa flexão ativa de cabeça em uma coluna cervical estável. A estabilidade do tronco é conseguida através do recrutamento da sinergia flexora, incluindo a ativação dos peitorais, reto abdominal e extremidades. As pernas estão numa posição de “sapo”, com flexão de quadris e joelhos, levando ao contato pé-a-pé e pé-a-perna, iniciando o processo de  auto-exploração e conhecimento corporal.

Quatro meses         

Aos 4 meses a criança já desenvolveu atividade muscular simétrica bilateral, de forma que a caixa torácica e as clavículas iniciam o processo de se mover para baixo (estabilizando), enquanto a musculatura do pescoço continua ativa.         

Postura simétrica e atividade bilateral de membros superiores e inferiores são dominantes neste período. Junta as mãos no espaço, alcança para baixo para tocar o joelho e/ ou a perna e pode também fazer uma flexão maior se segurando com as mãos (distal) para  fazer mais atividades proximais (mãos/olhos/joelhos).       

A criança pode perder o controle quando elevar as pernas. A pelve cai para um dos lados. Em consequência, teremos rotação da coluna, resultando no alongamento dos tecidos moles posteriormente entre a caixa torácica e a pelve, ou seja, o quadrado lombar e o grande dorsal e o rolar acidental. O bebê repete essa atividade muitas vezes, pois gosta da sensação e vira de lado sempre que for estimulado, ou se algum objeto chamar sua atenção.       

O rolar para prono ainda não é possível, pois a flexão do quadril que está por baixo bloqueia o movimento.       

As mãos do bebê de quatro meses estão geralmente abertas quando ele tenta pegar o objeto.Polegares continuam a ser mantidos próximo da palma da mão.         

A criança com quatro meses ainda não é capaz de soltar voluntariamente os objetos, no entanto, é a manipulação que faz com os dedos na linha média nesta fase, que prepara a criança para transferir objetos de uma mão para outra .Essas atividades são preparatórias para o soltar  controlado ou voluntário no espaço.

Cinco Meses       

Reação de retificação da cabeça está completa no final do quinto mês, e o controle funcional da cabeça está presente em todas as posturas. No quinto mês, quando puxado para sentar, o bebê faz flexão e eleva a cabeça, com o queixo para dentro.

O bebê de cinco meses continua a usar o padrão bilateral de alcance, mas agora, uma mão agarra o objeto e a outra mão vem ajudar. A criança de cinco meses tem  todos os  graus de liberdade de movimento na parte superior da caixa torácica e braços.           

O bebê pode agarrar o pé e trazê-lo à boca para explorar e brincar.  Brincar e colocar o pé na boca oferecem um caminho para melhora a consciência corporal Ainda, a cápsula posterior da articulação do quadril está sendo mobilizada em virtude da posição de extrema flexão do quadril e os músculos posteriores da coxa alongados.     Os movimentos de pernas bilaterais do período anterior dão lugar aos movimentos individuais da perna. A posição pé-na-boca estabiliza a pélvis numa inclinação posterior (retroversão), enquanto a perna livre  chuta para longe  do corpo.  O chute fortalece extensores e alonga flexores no quadril.

Seis meses         

O componente de controle e força de flexão contra a gravidade se completam em supino aos seis meses.  Podemos dizer que a criança já adquiriu controle de flexão em supino quando está apta a fazer o seguinte:

  • Manter todas as extremidades estendidas no espaço acima do tronco. Isso demanda força e controle dos abdominais.
  • Levanta a cabeça da superfície de apoio independente
  • Faz rotação da pelve sobre os ombros ou vice versa.  A ação dos abdominais oblíquos é evidente enquanto o brincar com o pé continua.  A criança está agora apta a rolar dissociando a pelve dos ombros na transição de supino para prono. 

POSTURA SENTADA

Necessário: anteroversão pélvica e extensão da coluna contra gravidade. A criança adquire a habilidade de manter posição sentada e com apoio quando colocada com 6 meses. Nessa idade, senta-se em anel para aumentar a base de suporte, uma vez que o controle de tronco não é perfeito.

Quando a criança ganha controle de flexão e extensão contra a gravidade e melhora no controle de tronco e ainda aperfeiçoa as reações posturais, consegue sentar-se sem apoio aos 8 meses de idade.

Postura gatas / engatinhar

• Atividade recíproca = aplica suporte de peso diagonal – locomoção
• A mesma atividade recíproca (contra-rotação) vai ser importante para marcha
• A descarga de peso ajuda formação do acetábulo e fortalecimento da musculatura do quadril
• A criança inicia o engatinhar entre 8 e 10 meses.

Ajoelhado / em pé

•    Com a maturação há tendência de aquisição de posição mais vertical
•    É uma progressão da posição de quatro – sentar-se sobre os joelhos
•    Gera estímulos táteis, proprioceptivos: descarga de peso.
•    Rotação ativa dos quadris: transições entre sentar de lado, ajoelhado e sentado.
•    Alonga e fortalece musculatura de tronco e quadris

Marcha

•     A criança adquire a marcha entre 12 e 15 meses (fig 9)
•     A marcha é primitiva, por falta de equilíbrio a criança exibe:
–      Base alargada
–      Pouca reciprocação
–      MMSS elevados

Síntese do desenvolvimento motor normal

1º Mês (0 a 1 mês)

Movimentos indiferenciados em bloco (supino) e rastejantes em (prono). Movimentos lentos; porém bruscos e arritmados. Abrir e fechar das mãos, controle de cabeça ausente, desloca a cabeça para os lados (sobrevivência).Membros em flexão e adução simetricamente. RTCA (ausente ou fraco no início do período e visível no final).RTL e Reação de apoio presentes.Reflexo de Moro, Gallant e Marcha (fortes).Preensão palmar e plantar (muito fortes). Reflexo de busca, sucção e deglutição (fortes). Em flexão generalizada dos membros superiores.

altrecem nascido

2º Mês (1 a 2 meses)

Movimentação mais suave que no 1° mês, iniciando coordenação dos movimentos.Movimentação assimétrica, chutes alternados e aumento da movimentação a estímulos visuais e auditivos. Reflexo de Moro, Sucção e Preensão Palmar e Plantar (fortes). RTCA aumentado. Postura assimétrica com diminuição da flexora e a cabeça roda para os dois lados. Diminuição do tônus flexor: a cabeça acompanha o movimento (puxado para sentar) e apresenta tentativas de endireitamento (sentado).

3º Mês (2 a 3 meses)

Influência do RTCA podendo ser quebrado facilmente, mãos trazidas à linha media, predominantemente abertas e criança brinca com as mãos por muito tempo. Movimentos mais coordenados; inicio da extensão de tronco, do apoio de antebraços e da transferência de peso sobre o mesmo. Boa extensão de cabeça (em prono). RTCA aumenta, mas pode ser quebrado. Postura assimétricas pés já tocam no chão; diminuição da flexão e elevação da cabeça (em prono). Diminuição do tônus flexor e aumento do extensor; quando puxada para sentar, bom controle de cabeça.Tônus influenciado pelo RTCA.

4º Mês (3 a 4 meses)

Menos influência do RTCA e o corpo gira para o lado. Apoio de antebraço, cabeça. Em extensão de quase 90º e maior movimentação das mãos (prono). RTCA, RTL e Moro (em inibição). Reflexo de Landau (aparece). Reflexo de Paraquedas e Reação de Equilíbrio em prono e supino (inicia). Reações Posturais boa. Simetria, junção dos pés e das mãos e a cabeça às vezes permanecem na linha média. Apoio de antebraço, equilíbrio de cabeça, postura de balanceio e MMII em rotação externa e flexão leve (prono). Inicia ajuda no movimento e apresenta ótimo controle de cabeça (puxado para sentar). Cabeça estável, tronco instável e diminuição da cifose torácica (sentada).

puppy curto
Puppy curto

5º Mês (4 a 5 meses)

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Manobra de tração

Inicia dissociação ao mudar de decúbitos e de MMII (leva os pés a boca). Consegue alcançar os pés. flexão de cabeça (supino).Inicio de transferência de peso, movimentos rotatórios e já usa as mãos (prono). Rola de prono para supino e apresenta início de ponte. RTCA e Moro desaparecem ou ficam mais fracos. Reflexo do Landau aumenta. Bom equilíbrio em prono e início da reação de retificação. Simétrica, postura de rã e permanece sentado com apoio. Normal hipotonia fisiológica. Maior mobilidade articular e regulação de tônus para determinadas atividades motoras. Ajuda com movimentos e controla a cabeça (puxada para sentar).Faz apoio de tripé e cai sempre para frente (sentada sem apoio).

puppylongo
Puppy longo

6º Mês (5 a 6 meses)

Movimentos bem coordenados e livres, faz ponte e muda faci1mente de decúbito. Reação de Landau presente. Reações de Pára-quedas, de Proteção para frente e de equilíbrio em prono(boas). Inicia Reação de Equilíbrio em supino.Reações de Anfíbio e de Endireitamento (iniciando ou presentes). Simétrica e permanece bom tempo sentada sem apoio. Preferência de posição ortostática e controle de tronco bom ou moderado. Colabora muito (puxado para sentar).

7º Mês (6 a 7 meses)

Movimentação simétrica e mais estável, rola dissociando, inicia o rastejar e se alimentar sozinho com pães e bolachas. Reflexos do Landau, de Endireitamento e de Anfíbio positivos. Reação de proteção para o lado (iniciando) simétrica e senta sem apoio. Normal, sentada usa as mãos para manipular objetos.

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8º Mês (7 a 8 meses)

Vira-se em torno do próprio eixo e rasteja homolateral ou cruzado (prono). Assume 4 apoios, adota posturas intermediárias. Reação de proteção para frente e para os lados. Equilíbrio em supino, prono e sentada (todos presentes).Reflexo de Preensão Plantar presente. Simétrica,mostra boa postura com apoio (de pé). Mostra-se mais estável (de pé).Tronco mais ereto e com controle (sentado).

9º e 10º Meses (8 a 10 meses)

Começa engatinhando homolateral e depois dissociado, passa para postura de pé segurando em objetos ou em pessoas, inicia a marcha com apoio, passa de prono para sentado e supino para sentado. Faz pinça, bate com as mãos, joga brinquedos e faz balanceio em gatas. Reflexo de Preensão Plantar desaparece.Reações de Proteção para trás (inicia), de Endireitamento (forte), de Equilíbrio nas posturas deitada e sentada (boa) e na postura de gatas (iniciando). Simétrica, permanece com tronco ereto por muito tempo (sentada), permanece de pé com apoio e adota posturas intermediárias (ajoelhado e semi-ajoelhado). Boa abdução de quadril e regulação tônica seguida da movimentação.Extensão de MMIIe tronco (suspensão ventral).

11º e 12º Meses (10 a 12 meses)

Anda segurando em móveis, passa sozinha por todas as posições, faz dissociação e transferência de peso (gatas), quando de pé abaixa-se se preciso. Fica do pé sem apoio, locomove-se rapidamente de gatas, marcha em bloco com base alargada, ajuda a se vestir e às vezes faz postura de urso. Reações Posturais de Equilíbrio e de Proteção (boas), inicia equilíbrio de pé. Simétrica. boa flexão de quadril e tronco ereto quando sentado, base alargada e bem retificada quando de pé.

Reflexos e reações neonatais e posturais

Reação Automática (de Sobrevivência)

Em prono o recém-nato gira a cabeça para um lado a fim de liberar as vias aéreas, esta reação está presente desde o nascimento; ela pode faltar no bebê que apresenta outras anomalias neurológicas.

Reflexo de Moro

A estimulação mais utilizada é a queda da cabeça em extensão. “O examinador coloca a criança sabre um antebraço e apóia-lhe a cabeça com a outra mão. A mão que segura a cabeça move-se, então, para baixo; a cabeça da criança cai na mão aberta.” O lactente responde com elevação e abdução dos membros superiores junto a uma extensão dos dedos e em seguida os braços ficam fletidos e aduzidos, podendo ou não ser acompanhado por choro. Este reflexo desaparece no 5º mês.

Reação Positiva de Apoio

Ao colocarmos a criança sustentada verticalmente com os pés apoiados sobre uma superfície a resposTa será de contração dos músculos das pernas e extensão do tronco. O lactente fica na posição de pé.

Reflexo de Marcha

Após pormos o lactente em posição ereta, se inclinarmos seu tronco para frente, ele iniciará movimentos alternantes que nos dará impressão de marcha.

Reflexo de Sucção e Deglutição

Pode ser estimulado, pondo uma chupeta, um cotonete ou um chumaço do algodão embebido com água nos lábios do recém-nato. A partir da primeira tomada de alimento o recém-nato já capaz de deglutir a mesmo.

Reflexo de Busca (dos Pontos Cardeais)

Pela estimulação dos cantos da boca, o recém-nato desloca a face e a boca à procura do estímulo; na maior parte das vezes, desencadeiam-se, em seguida, movimentos de sucção dos lábios e da língua. 

Reflexo Extensor de Propulsão

Com o recém-nato em prono, o examinador faz uma compressão com o polegar sobre a planta do pé, este membro irá responder com extensão, e o bebê rasteja. Este reflexo ajuda no arrastar.

Reflexo Flexor de Retirada

Quando a planta do pé de um membro inferior do lactante é estimulada, este se flete em retirada.

Reflexo de Extensão Cruzada

É observado com o recém-nato em supino. estende-se um membro inferior e aplica-se um estimulo de fricção na planta do pé do calcanhar para os artelhos. O membro contra lateral, primeiramente se flete e abduz, depois se estende e aduz. Este reflexo é norma até a idade de 4 a 6 semanas. Reflexo de Preensão Palmar É observado quando colocamos o nosso dedo à palma da mão da criança ao nível da articulação metacarpofalangeana. Ela responde flexionando fortemente os dedos e fechando as mãos, segurando nosso dedo. Este reflexo desaparece entre 9 e 10 meses.

Reflexo de Preensão Plantar

Ocorre quando tocamos a planta do pé abaixo dos artelhos, e os mesmos assumem a posição de garras; quando pára o estímulo os artelhos se estendem. Até os 9 meses os dedos se fletem, quando na posição de pé, que é quando ele desaparece.

Reflexo Magnético

Em posição dorsal, com os quadris e os joelhos fletidos (posição simétrica da cabeça na linha media), os polegares do examinador são compridos sobre a sola do pé e lentamente retirados. O contato entre o dedo e a sola do pé mantém-se. as pernas estendem-se, o pé fica colado no dedo.

Reflexo de Tabela

Comprimindo a glabela, fecham-se os olhos.

Reflexo de Gallant

Atribuímos este reflexo à resposta de flexão lateral do tronco diante a um estímulo com o dedo paralelamente à coluna vertebral desde a última costela até a crista ilíaca. A concavidade terá que estar voltada para o lado do estímulo. Este teste deve ser realizado bilateralmente com o lactante em prono ou em suspensão ventral.

Reações de Posicionamento (Placing-Reactions)

Segura-se por baixo dos braços, com os pés abaixo da borda da escada levantando devagar a criança; tocando de leve no dorso do pé, puxa-se este para cima pela borda inferior da escada, com o que o pé sobe na escada. A mesma coisa pode-se provocar com o dorso da mão. Esta reação também se chama reação de subida, porque a criança dá a impressão de poder galgar a escada.

Fenômeno Olhos de Boneca

Este fenômeno consiste em rodar a cabeça do RN lateralmente, estando a criança reclinada nos braços do examinador. Deve-se verificar se os olhos permanecem na posição primitiva, não acompanhando a rotação da cabeça.

Reflexo Tônico Labiríntico (RTL)

Ocorre quando a criança se encontra numa posição horizontal e na linha media. Os receptores estão localizados no ouvido interno e são excitados pela ação da gravidade, agindo sobre os canais semicirculares. Na posição supina ha um aumento do tônus extensor, e na posição prona um aumento do tônus flexor. Este reflexo aparece apenas até o 4º mês.

Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA)

É produzido pela rotação da cabeça para um dos lados na posição supina. Ele se manifesta pelo aumento do tônus extensor dos membros para o lado em que a face (região frontal) está voltada e pelo aumento do tônus flexor no dimídio correspondente à região occipital. Os receptores estão localizados no pescoço. Este reflexo aumenta no 2° mês e desaparece no 5° mês de vida.

Reflexo Tônico Cervical Simétrico (RTCS)

Ajuda a criança a vivenciar as primeiras experiências do arrastar e posteriormente engatinhar. É observado colocando-se a criança em suspensão ventral, quando sua cabeça é fletida. Seus membros superiores se fletem e os inferiores se estendem, ocorrendo o inverso quando tem a cabeça estendida.

Reflexo de Landau

O examinador, para testar esse reflexo precisa segurar o lactente firmemente em suspensão ventral. A partir dos 4 ou 5 meses de idade, o bebê normal reage à suspensão ventral com extensão de cabeça e tronco, por volta dos 6 a 8 meses, ele estende também os membros inferiores. O examinador flete a cabeça do lactente; esta é seguida pela flexão de tronco e pernas Quando se solta a cabeça, os membros, a cabeça e o tronco costumam voltar à posição de extensão, este reflexo aparece ao 4° mês

Reflexo de Pára-quedas

Segura-se a criança pela cintura com as duas mãos e aproxima-se a cabeça da plataforma com relativa rapidez. Antes da cabeça chegar à plataforma, os braços se estendem como se a criança fosse apoiar-se, este reflexo inicia aos 6 meses com mais evidência aos 9 meses.

Reação de Retificação

Atribuímos a estas reações a capacidade que possui o lactente de manter a cabeça e o corpo em relação ao espaço, bem como de conservar as relações das diferentes partes do corpo entre si.

Reação Postural Cervical

Com o lactante em supino, seguramos e viramos sua cabeça para um dos lados, ele responde acompanhando a cabeça com o tronco, virando-se para o lado. Esta reação desaparece aos 5 meses.

Reação Postural Labiríntica

Observamos a posição da cabeça em relação ao corpo ao colocarmos a criança nas posições: supino (levanta a cabeça ao 6° mês), prono (mantém elevada aos 4 meses), quando puxada para sentar (aos 4 meses) e em suspensão ventral (alinha com 8 semanas).

Reação de Endireitamento

Estas reações tornam a criança capaz do virar de lado, elevar a cabeça, ficar sobre suas mãos e joelhos e sentar. Embora o comportamento inicial da criança seja controlado por um conjunto integrado de reflexos subcorticais, ele logo aprenderá a usar esses padrões básicos de coordenação em suas atividades voluntárias. Este reflexo aparece a partir do 6° mês.

Reação de Anfíbio

Esta prova é realizada estando o lactante em decúbito ventral. O examinador vira a pelve do lactante, afastando-a um pouco da mesa de exame. Este reflexo aparece no 6º mês.

Reações de Equilíbrio

As reações de equilíbrio podem ser observadas colocando a criança sobre uma mesa inclinando a superfície, isto pode ser feito em prono (iniciando no 4° mês), supino (aparece no 6° mês), sentada (aparece no 7º mês), em 4 apoios (iniciando entre 9 e 10 meses) ou de pé (aparece no 12° mês). Reações Protetoras Este grupo de reações ocorre pela estimulação dos canais semicirculares do ouvido interno. Estas podem ser para frente (iniciando no 6° mês), para o lado (aparece no 8° mês) e para trás (aparece no 9° mês).

Observações importantes

A criança não precisa estar realizando perfeitamente uma etapa motora para iniciar a etapa seguinte. Quando adquire uma etapa mais evoluída, aprimora a etapa anterior.             

O desenvolvimento motor é muito complexo e envolve ainda os reflexos e reações do desenvolvimento que não foram abordadas nesse texto.             

Embora haja variação individual e entre autores, abaixo está uma tabela com a idade de aquisição das principais etapas motoras. Conhecer o desenvolvimento motor do ponto de vista biomecânico é fundamental para um fisioterapeuta conseguir avaliar o porquê determinada criança não realiza determinada etapa e, com isso, elaborar estratégias eficientes para ajudá-la a desenvolver.

altmarcos motores

> Marcha
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