Marcha Normal

Fases da marcha

Fase de apoio ou de estação:
– periodo de duplo apoio
– periodo de apoio simples -> médio apoio
– peiodo de duplo apoio final

Fase de balanço ou de oscilação:
– periodo de balanço inicial
– periodo de médio balanço
– periodo de balanço final

Eventos da marcha

– contato inicial do pé
– contato total do pé
– desprendimento do pé oposto
– médio apoio
– desprendimento do retropé
– contato inicial do pé oposto
– desprendimento

Corrida

Substituição do duplo apoio por duplo balanço.
– apoio: contato inicial, apoio médio, desprendimento
– balanço: avanço, balanço anterior e descida do pé

Determinantes da marcha

– rotação pélvica
– obliquidade pélvica
– flexão do joelho na fase de apoio
– mecanismos do tornozelo
– mecanismo do pé
– rolamento lateral do corpo

Postura e marcha

Estudo da marcha

Introdução

O objetivo principal da locomoção humana é o translado do corpo de um lugar para outro através da marcha com os dois pés. O ato de caminhar é uma atividade dinâmica e repetitiva; ele ocorre com uma sequência rítmica definida de eventos que acontecem durante o ciclo da marcha. A marcha normal é relativamente fácil, realizada com um gasto mínimo de energia.
A marcha pode ser descrita com uma ação recíproca de perda e recuperação do equilíbrio, na qual o centro de gravidade do corpo muda constantemente.

Por que o fêmur é em valgo?

Permite compensar a largura da pelve, mantendo a tíbia vertical em relação ao solo, com menor distância entre os tornozelos -> otimizar a marcha.

Conceitos

– Comprimento da passada: é a distância viajada na mesma extensão de tempo que o ciclo da marcha
– Comprimento do passo: é a distância entre o calcâneo de um pé ao calcâneo do pé oposto durante a fase de apoio duplo.
– Cadência: é o número de passos por minuto em uma mesma direção em centímetros por segundo.
– Rotação angular: é a rotação da articulação em graus dividida pela porcentagem do ciclo da marcha.

Ciclo da Marcha

Um ciclo da marcha completo é o período entre a hora em que o calcâneo toca o solo e o próximo impacto do calcâneo do mesmo membro. O ciclo da marcha consiste de duas fases – apoio e balanço.

Fase de apoio

Nesta fase, o pé está em contato com o solo e o membro inferior está apoiando todo ou parte do peso do corpo. Esta fase começa quando o calcâneo toca o solo e termina quando os dedos desprendem-se do solo.

Constituindo 60% do ciclo da marcha, ela é ainda subdividida em quatro períodos, por meio de cinco eventos conhecidos como incidentes críticos. Os períodos na fase são: o impacto do calcâneo, apoio médio, desprendimento e aceleração; os incidentes críticos são: o impacto do calcâneo, pé plano, o desprendimento do calcâneo, flexão do joelho e o desprendimento dos dedos.

O primeiro período (impacto do calcâneo) constitui 15% do ciclo da marcha; ele começa com o primeiro incidente crítico (impacto do calcâneo) e termina com o segundo incidente crítico (pé plano).

O segundo período (apoio médio) começa com o pé plano e termina com o terceiro incidente crítico (desprendimento do calcâneo). Durante este período, a pessoa está equilibrada sobre a perna de apoio; este período corresponde a 15% do ciclo da marcha.

O terceiro período (desprendimento) é iniciado pelo desprendimento do calcâneo e termina com a flexão do joelho, o quarto incidente crítico – durante os quais o quadril e o joelho se encontram fletidos, preparando o membro para a fase de balanço. Esse período constitui os 25% seguintes do ciclo da marcha.

O quarto e último período da fase de apoio é a aceleração; ele começa com a flexão do joelho e termina com o desprendimento dos dedos, o quinto incidente crítico marcando o final da fase de apoio. A duração da fase de aceleração é 5% do ciclo da marcha, e o seu término marca a conclusão dos 60% do ciclo da marcha.

Logo após a flexão do joelho, a perna contralateral completou a sua fase de balanço; seu pé está tocando o solo, preparando para transferir o peso do corpo para o novo membro de apoio. O período no qual ambos os membros estão no solo simultaneamente é conhecido como fase de suporte duplo (ou apoio duplo). Na marcha normal este período diminui com o aumento da velocidade da deambulação e desaparece durante a corrida.

Fase de balanço

Nesta fase, o pé não está tocando o solo, e o peso do corpo está colocado no membro oposto. Começando com o desprendimento dos dedos e terminando como impacto do calcâneo, esta fase ocupa 40% do ciclo da marcha. Esta fase está subdividida em três períodos – balanço inicial, balanço médio e desaceleração.

Balanço inicial – Começa com o incidente crítico do desprendimento dos dedos e continua conforme o pé é elevado do solo em um arco, pela flexão do quadril e do joelho, e o membro move-se para frente. O balanço inicial ocupa os primeiros 10% da fase de balanço.

Balanço médio – Começa quando o membro em balanço passa o membro oposto em apoio; o joelho estende, e o trajeto do pé é um arco de balanço para frente. Este período ocupa 80% da fase de balanço.

Desaceleração – Ocorre durante os 10% finais da fase de balanço; a força da gravidade e da musculatura do membro suavemente trava o movimento de balanço para frente do membro; o calcâneo toca o solo, e a sequência total do ciclo da marcha está completo.

Gravidade

A localização do centro de gravidade do corpo do adulto tem sido estimado como sendo anterior a 2ª vértebra sacral, dentro da pelve verdadeira, num nível que é cerca de 55% da altura total de um indivíduo.

Na marcha normal, o caminho seguido pelo centro de gravidade do corpo é uma curva uniforme e regular que move-se para cima e para baixo no plano vertical com elevação e queda médias de 2 polegadas (aproximadamente 5 cm). O ponto inferior é alcançado na fase de suporte duplo, quando os dois pés estão no solo, e o ponto alto, na fase de apoio médio.

O centro de gravidade é deslocado também lateralmente no plano horizontal durante a locomoção; a distância total percorrida de lado-a-lado é cerca de 2 polegadas. O movimento é em direção ao membro de apoio e alcança seu limite lateral na fase de apoio médio.

Quando os movimentos vertical e horizontal do centro de gravidade do corpo são combinados, eles descrevem uma curva sinusoidal dupla.

Determinantes da Marcha

Os seis determinantes básicos da marcha conforme definidos por Sanders, Inman e Eberhart são os seguintes:

Rotação Pélvica – Primeiro Determinante

No nível normal de locomoção, a pelve roda no plano horizontal 4º para frente no membro de balanço e 4º para trás no membro do apoio, com uma magnitude de rotação total de aproximadamente 8º . Uma vez que a pelve é rígida, a rotação ocorre realmente na articulação do quadril, a qual passa de rotação medial para a lateral durante a fase de apoio.

Inclinação Pélvica – Segundo Determinante

A pelve também inclina-se durante a locomoção normal, inclina-se para baixo em relação ao plano horizontal no lado oposto àquele do membro de apoio. O deslocamento angular ocorre na articulação do quadril e é, em média, 5º. Para permitir a inclinação pélvica, a articulação do joelho do membro que não está apoiando deve fletir para permitir a liberação dos dedos para o balanço do membro.

Flexão do joelho após o impacto do calcâneo na fase de apoio – Terceiro Determinante

O membro inferior de suporte entra na fase de apoio através do impacto do calcâneo com o joelho em extensão completa, após o que a articulação do joelho começa imediatamente a fletir-se até que o pé esteja plano no solo. A média de flexão do joelho neste período é de 15º . Logo após o apoio médio, a articulação do joelho passa para extensão mais uma vez, e isto é imediatamente seguido por uma segunda flexão do joelho, começando simultaneamente com a elevação do calcâneo conforme o membro é levado para a fase de balanço. Este período da fase de apoio no qual o joelho é primeiro bloqueado em extensão, destravado pela flexão e novamente bloqueado em extensão antes da flexão final é conhecido como o período do bloqueio duplo do joelho.

Movimento do pé e tornozelo – Quarto Determinante.

Os movimentos do pé, tornozelo e joelho estão intimamente relacionados na regularização do centro de gravidade no plano da progressão. O centro da articulação do tornozelo está localizado aproximadamente num ponto que conecta os topos dos maléolos medial e lateral; ele atravessa um arco formado pelo braço de alavanca do calcâneo. No impacto do calcâneo, o pé é dorsifletido, o centro de rotação do tornozelo é elevado e o joelho está em extensão completa. A seguir, tem lugar uma rápida flexão plantar do pé, e quando o pé está achatado no solo no apoio médio, o centro de rotação do tornozelo está inferiorizado. O joelho está fletido 15º quando o pé está achatado. Então o calcâneo eleva-se do solo, elevando novamente o centro de rotação do tornozelo. Estes movimentos do pé e do tornozelo regularizam o curso do centro de gravidade quando acoplados com o movimento do joelho.

Movimento do Joelho – Quinto Determinante

O centro de rotação do joelho é considerado como sendo um ponto no eixo que conecta as duas maiores proeminências dos côndilos femorais medial e lateral. O joelho flete logo após o impacto do calcâneo, quando o centro de rotação do tornozelo está elevado, e por isso o centro de rotação do joelho está inferiorizado. Durante a fase de apoio médio, o joelho está completamente estendido e o seu centro de rotação eleva-se quando o do tornozelo está inferiorizado. Na fase de desprendimento dos artelhos, o joelho flete novamente quando o centro de rotação do tornozelo está elevando-se pela segunda vez. Os movimentos do pé-tornozelo e do joelho são combinados de maneira tal que a elevação do tornozelo é compensada pela flexão do joelho.

Deslocamento Lateral da Pelve – Sexto Determinante

Na marcha bipodal, o centro de gravidade do corpo deve desviar-se da segunda vértebra sacral sobre o pé de suporte, enquanto o membro contralateral balança para frente. Conforme o peso do corpo está sendo desviado de um membro para o outro, a pelve move-se lateralmente no plano horizontal. Os eixos femural e tibial não caem verticalmente das articulações dos quadris; entretanto, os fêmures estão inclinados medialmente no quadril e as tíbias estão alinhadas verticalmente com a articulação do joelho. Esta relação tibiofemoral estreita a base de suporte e proporciona o equilíbrio suficiente.

A resultante final da combinação dos seis determinantes da marcha é o refreamento da elevação e queda do centro de gravidade (deslocamento vertical) e do movimento látero-lateral da pelve (deslocamento horizontal) dentro de uma caixa quadrada de 2 polegadas (aproximadamente 5 cm). Os exageros em qualquer um dos seis determinantes da locomoção são compensados por reduções em um outro. A interação dos 6 determinantes da marcha cria um curso regular para o deslocamento para frente do centro de gravidade do corpo.

Rotações Axiais

Durante a deambulação, os vários segmentos do membro inferior rodam ao redor de seus eixos longos. Em geral, da fase de balanço até a fase de pé plano, a rotação é medial, e quando o pé prepara-se para deixar o solo, a rotação é revertida lateralmente.

A pelve roda anteriormente 4º durante a fase de balanço e 4º durante a fase de apoio. Durante a fase de balanço, o fêmur roda lateralmente cerca de 5º na articulação do quadril; na fase de apoio, ele roda medialmente 3º a 4º. Sua rotação total é 8º a 9º durante um ciclo completo da marcha. A torção femoral é medida pela frente; ela é zero quando o quadril, patela e tornozelo estão em linha reta; quando a patela está virada para a linha média do corpo, do quadril à linha do tornozelo, o fêmur está rodado medialmente.

No impacto do calcâneo com o pé em posição neutra, a tíbia roda medialmente e alinha o tornozelo com o pé. Na conclusão do pé plano, ela começa a rodar lateralmente contra o pé fixo, e está em rotação lateral máxima quando o pé deixa o solo. Ela começa então a rodar medialmente preparando-se para o impacto do calcâneo. A rotação total da tíbia em relação ao fêmur é de 9º.

Além dos movimentos associados da pelve, quadril e joelho, existem movimentos normais de balanço dos membros superiores – quando um membro inferior avança, o membro superior do lado oposto, avança.

Ação Muscular na Marcha

É necessária uma fonte de energia para a locomoção. A energia inicial para começar, acelerar e desacelerar os segmentos do membro é suprida pela ação muscular. Os músculos estão agrupados ao redor das articulações como os extensores, flexores, abdutores, adutores e rotadores mediais e laterais primários. Alguns músculos cruzam somente uma articulação; outros estendem-se por duas ou três articulações. Sua função altera-se de acordo com as posições do membro.

Em geral, os músculos do membro inferior são usados para estabilizar, acelerar ou desacelerar a perna. Estes músculos funcionam enquanto contraem-se, alongam-se ou mantêm o mesmo comprimento.

Joelho na marcha e na corrida

– toque do calcâneo: joelho em extensão quase completa e começa a fletir progressivamente
– fase de apoio completo do pé: joelho extendido progressivamente e fletido novamente quando na fase de desprendimento do pé para compensar a extensão do tornozelo
– flexão aumenta na fase de balanço para evitar que o pé bata no chão
– fase final do balanço: extensão do joelho
– Estudos ENMG da marcha:
– – quadríceps: contração pouco antes do toque do calcâneo ipsilateral (últimos 10% do ciclo) e permanece contraído por 15% do ciclo após o toque do calcâneo
– – desacelera a flexão do joelho
– Exercícios:
– – cadeia aberta: fêmur fixo e tíbia movendo-se ao redor dele
– – cadeia fechada: tíbia fixa com fêmur movendo-se ao redor dela

Padrão normal do movimento cinemático do tornozelo

Consiste em 3 mata-borrões:
1) Começa na batida do calcanhar, com tornozelo em flexão plantar, para colocar o pé de forma plana no solo, via contração excêntrica do músculo tibial anterior.
2) O tornozelo está em dorsiflexão relativa conforme a tíbia e o corpo gradualmente se movem para frente, sobre o pé, por contração excêntrica do complexo gastrocnêmio-sóleo.
3) Tornozelo sofre flexão plantar, conforme os músculos gastrocnêmio e sóleo contraem concentricamente (responsável pela decolagem do pé, no fim da fase de apoio).
Na fase de balanço, o tornozelo sofre dorsiflexão, devido à contração do músculo tibial anterior, para permitir o levantamento do pé.

Função na marcha do tibial posterior
– Fase de apoio:
– – Contato do calcâneo: absorve choque na subtalar, limita a eversão do retropé por contração excêntrica
– Fase de apoio médio: contração -> inversão subtalar -> bloqueio da talonavicular e calcâneo cuboídea -> alavança rígida para propulsão do pé
– – Equilibrio durante a fase de propulsão da marcha é obtida pelo balanço da atividade do tibial posterior e fibulares

> Arquivos de Apresentações em ppt

Desenvolvimento da postura

Última atualização porMarcioR4
Quanto você gostou deste artigo?0000
Inscrever-se
Avisar sobre
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments