Condromatose

A condromatose sinovial (joelho 60%) é uma doença que resulta de uma perturbação a nível da membrana sinovial, levando esta estrutura à produção anormal de múltiplos pequenos nódulos livres de tecido cartilagíneo, por metaplasia do tecido conjuntivo sub-sinovial. A causa desta metaplasia é desconhecida. É uma situação relativamente rara e habitualmente monoarticular. Pode também ocorrer noutras grandes articulações, como o quadril, o ombro ou o cotovelo. Apresenta-se com maior frequência em homens entre os 40-50 anos de idade.

É uma doença considerada benigna, com um risco extremamente baixo de transformação maligna. Pode ser dividida em três fases: precoce (doença sinovial activa sem corpos livres), fase de transição (doença sinovial activa e corpos livres articulares) e fase tardia (corpos livres sem doença sinovial).

Tipos

A condromatose sinovial primária surge sem patologia articular identificável, enquanto a forma secundária surge associada a artrose, artrite reumatóide, osteonecrose, osteocondrite dissecante, tuberculose ou até a fracturas osteocondrais.

Quadro clínico

É uma situação que se apresenta ao longo de meses ou anos, com um quadro de dor e tumefacção permanente a nível do joelho, associado a moderada rigidez articular e sendo por vezes palpáveis os corpos livres a nível dos recessos articulares, podendo ou não haver sintomas mecânicos de bloqueio do joelho por estes. Pode também manifestar-se permanente dor na palpação das interlinhas articulares e a mobilidade articular apresentar-se diminuída. Habitualmente não há qualquer história traumática e não se apresentam sintomas de doença sistêmica.

Exames

Nos exames analíticos não são encontradas alterações nos marcadores inflamatórios, excepto quando na presença de condromatose secundária a patologia inflamatória. Os exames radiográficos são habitualmente normais, podendo no entanto os corpos livres articulares serem visíveis se se encontrarem calcificados. Nas situações de condromatose secundária são visíveis as alterações relacionadas com a patologia primária. A ecografia e a ressonância magnética permitem visualizar e localizar os vários nódulos cartilagíneos.

Classificação de Milgram

– Fase precoce: condrometaplasia sinovial sem corpos livres
– Fase de transição: doença dinovial ativa e corpos livres
– Fase tardia: com corpos livres mas sem doença sinovial

Tratamento

O tratamento com analgésicos ou com anti-inflamatórios pode reduzir os sintomas álgicos ou inflamatórios do doente, mas não tem obviamente qualquer efeito sobre os sintomas mecânicos. Os doentes que apresentam derrames articulares recorrentes e sintomas mecânicos permanentes, têm necessidade de tratamento cirúrgico para exérese dos corpos livres intra-articulares e excisão da membrana sinovial envolvida (sinovectomia parcial) levado a efeito normalmente por técnica artroscópica minimamente invasiva. Só para as situações mais avançadas e com deterioração articular expressiva pode ser necessária a cirurgia por técnica aberta. As complicações pós-operatórias que se podem apresentar nesta circunstância e com alguma frequência, são a rigidez articular e a recorrência da sintomatologia mecânica devido à formação de novos corpos livres.

Os resultados do tratamento cirúrgico da condromatose sinovial primária são bons, com retorno à normal função articular. A evolução da condromatose secundária depende da progressão da doença de base.

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Autor: Dr. Márcio Silveira – ortopedista especialista em joelho
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