Alice no País das Maravilhas

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    MarcioR4
    Mestre

    “Tenho certeza de que não sou Ada”, disse ela, “porque o cabelo dela tem cachos longos e o meu não tem cachos; e tenho certeza de que não posso ser Mabel, pois sei todos os tipos de coisas, e ela, oh! ela sabe tão pouco! Além disso, ELA É ela, e eu sou eu, e – oh querido, como tudo isso é intrigante! Vou tentar se sei todas as coisas que costumava saber. Deixe-me ver: quatro vezes cinco são doze, quatro vezes seis são treze e quatro vezes sete são – oh, meu Deus! Nunca chegarei a vinte nesse ritmo! No entanto, a Tabela de Multiplicação não significa: vamos tentar a Geografia. Londres é a capital de Paris, e Paris é a capital de Roma, e Roma – não, ISSO ESTÁ errado, tenho certeza! Devo ter mudado pela Mabel! Vou tentar dizer ‘Como o pequeno-‘ ”e ela cruzou as mãos no colo como se estivesse dando uma lição e começou a repetir, mas sua voz soou rouca e estranha, e as palavras não saíram do o mesmo que costumavam fazer:

    “Como o pequeno crocodilo
    Melhore sua cauda brilhante,
    E despeje as águas do Nilo
    Em todas as escalas de ouro!
    “Como ele parece sorrir alegremente,
    Como suas garras espalharam ordenadamente,
    E bem-vindos peixinhos em
    Com mandíbulas sorridentes gentilmente! ”

    “Tenho certeza de que essas não são as palavras certas”, disse a pobre Alice, e seus olhos se encheram de lágrimas novamente enquanto ela continuava: “Eu devo ser Mabel, afinal, e terei de ir morar naquela casinha minúscula , e quase nenhum brinquedo para brincar, e oh! sempre tantas lições para aprender! Não, eu já me decidi sobre isso; se eu for Mabel, ficarei aqui! Não adianta eles abaixarem a cabeça e dizerem ‘Suba de novo, querida!’. Vou apenas olhar para cima e dizer ‘Quem sou eu então? Diga-me isso primeiro, e então, se eu gostar de ser essa pessoa, subirei: se não, ficarei aqui até ser outra pessoa, mas, meu Deus! ” Alice gritou, com uma explosão repentina de lágrimas, “Eu gostaria que eles baixassem a cabeça! Estou tão cansada de ficar sozinha aqui!”

    Livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll

    Com o título original As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, a célebre obra escrita por Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, foi publicada em 4 de julho de 1865.

    Trata-se de uma obra infantil que conquistou leitores e apaixonados de todas as idades e gerações. Em parte, porque abre várias linhas de leitura e interpretação possíveis, estando também repleta de referências e críticas sobre a cultura da época.

    Lewis Carroll é considerado precursor e um dos maiores impulsionadores da literatura nonsense, um gênero literário que subverte os contos de fadas tradicionais, criando narrativas que não seguem as regras da lógica.

    É precisamente nesse caráter de absurdo que parece estar a singularidade da obra, que se tornou um ícone literário e cultural. Ao longo do tempo, tem sido representada e recriada na pintura, no cinema, na moda e nas mais diversas áreas.

    Os enigmas de Lewis Carroll

    Embora seu objetivo fosse distrair e despertar a imaginação de seus ouvintes, Carroll era um pedagogo e usou as suas narrativas para aguçar os intelectos também. Na sua obra mais famosa, podemos encontrar enigmas e equações matemáticas escondidas, sobretudo em exercícios de lógica.

    Um exemplo conhecido é o episódio em que Alice é confundida com uma serpente. A pomba, que guardava seu ninho, se assusta quando Alice come um pedaço de cogumelo e o seu pescoço cresce demais, ficando da altura da árvore.

    O pássaro afirma que as serpentes comem ovos (premissa 1) e Alice também come ovos (premissa 2), logo Alice é uma serpente (conclusão). Estamos perante um falso silogismo, raciocínio de dedução usado por Aristóteles, onde três proposições surgem interligadas.

    Neste caso, as duas premissas não geram uma conclusão verdadeira, porque vários animais comem ovos, incluindo os seres humanos. A menina revela sua esperteza e rapidez de pensamento quando rebate a argumentação da pomba.

    Outra passagem que ficou gravada na memória dos leitores é a adivinha que o Chapeleiro Louco faz a Alice:

    Em que se parece um corvo com uma escrivaninha?

    A resposta óbvia é que não existe resposta, trata-se de uma questão absurda feita por um homem louco.

    No entanto, algumas teorias foram surgindo, como aquela que apontava Edgar Allan Poe como a solução do enigma, pois o autor escreveu O Corvo e também escreveu usando uma escrivaninha. Outra interpretação possível é que a resposta sejam as penas, que fazem parte do animal e eram usadas para a escrita, em cima do móvel.

    Anos depois da publicação, Carroll escreveu um texto onde tentou responder ao próprio dilema, com o humor e os jogos de palavras que eram característicos do autor.

    Ambos podem produzir algumas notas. Numa secretária podemos produzir algumas notas (escrever). O corvo, enquanto ave, também pode produzir algumas notas (grasnar). Na secretária nunca se escreve de trás para a frente e no corvo “nunca” (grafado como “nevar”) também se escreve de trás para a frente (“raven”).

    Para ler:
    Alice no País das Maravilhas (Classic Edition)


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