Luxação do cotovelo em crianças

– Fraturas associadas em 50%: epicôndilo medial, cabeça e colo do rádio, processo coronóide.
– 3-6% de todas lesões do cotovelo.
– Pico entre os 13-14 anos, após as fises terem fechado.
– Elevada incidência de fraturas associadas, como epicôndilo medial, coronóide, cabeça e colo radial.

Mecanismo de lesão

Queda sobre a mão estirada ou o cotovelo, resultando em uma força de alavanca para destravar o olécrano da tróclea, combinada com a translação das superfícies articulares para produzir a luxação.

Tipos

Luxação posterior: hiperextensão do cotovelo, estresse em valgo, abdução do braço e supinação do antebraço com lesões resultantes dos tecidos moles, cápsula, ligamentos colaterais e musculatura.

Luxação anterior: força direta sobre o aspecto posterior do cotovelo flexionado.

Quadro clínico

Dor, edema, avaliação neurovascular, compartimento.
Angiografia para avaliar artéria braquial.

Classificação

– cronológica: aguda, crônica ou recorrente.
– descritiva: relação da articulação radioulnar proximal com o úmero distal.
– – posterior (póstero-lateral – 90%, póstero-medial).
– – anterior.
– – divergente.
– – – medial e lateral (não em pediatria)
– fraturas-luxações (processo coronóide, colo radial, apófise epicondilar medial)

Classificação de Wilkins

– Articulação radioulnar proximal intacta

— Posterior: mais comum
— Pode ser dividida em posterolateral e posteromedial
— Recorrente
— Não reduzida
— Anterior
— Medial e lateral

– Articulação radioulnar proximal com lesão
– Geralmente há divergência do rádio e da ulna na direção mediolateral

– Luxação da cabeça radial: isolada é rara
— diferencial com luxação congênita
– Subluxação da cabeça radial
– Luxação da ulna proximal isolada nunca foi descrita em crianças

Tratamento

Conservador: redução, imobilização. Mobilização ativa precoce suave 5-7 dias após a redução. Avaliar neurovascular e RX.

Cirúrgico: aprisionamento de tecidos moles e ósseo, grande fragmento coronóide desviado, luxações intensamente instáveis (FE).

Luxação Posterior

– Raro em crianças
– Geralmente na 2ª década de vida – Sexo masculino; lado esquerdo
– Alta incidência de fratura associada

Mecanismo:
– Luxação posterior e posterolateral
– Lesão dos ligamentos colateral medial ou ulnar  instabilidade em valgo
– Pode resultar em fratura avulsão do epicôndilo medial (origem flexora)

Fraturas associadas:
– Mais comum: epicôndilo medial
– Fratura do processo coronóide: associada a luxação posterior por avulsão pelo braquial durante a hiperextensão

Tratamento:
– Redução fechada:
– Imobilização em tala por 5 dias seguido por tipóia
– É necessário mobilização precoce

Complicações

Perda de movimento (extensão), comprometimento neurológico, vascular, compartimento, instabilidade, luxação recidivante, miosite ossificante, ossificação heterotópica, fraturas osteocondrais, sinostose radioulnar, cúbito recurvato.

– Precoces: lesões vasculares e neurológicas
– Tardias: redução de ADM, miosite ossificante, luxação recidivante, sinostose radioulnar, cúbito recurvato

Lesão neurológica:
— Ulnar: mais comum
— Geralmente associada a fratura de epicôndilo medial
— Mediano: mais séria
— Se associada a fratura do epicôndilo medial: indicação absoluta de exploração
— Sinal de Matev: ocorre por compressão prolongada, visto no Rx, representa depressão da superfície posterior do crista epicondilar medial no local de compressão no nervo contra o osso
— Radial: rara

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Última atualização porMarcioR4

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