Luxação congênita do joelho

Generalidades

Deformidade rara em que a tíbia está deslocada anteriormente em relação ao fêmur, provavelmente relacionada com a posição em hiperextensão do joelho in útero (apresentação pélvica) O fator hereditário está relacionado quando associado a sindrome de Larsen (luxações congênitas do quadril, joelho, cotovelo, pés, tornozelo, fascies característica). Mais comumente associada com LCQ, seguido das deformidades congênitas do pé e luxações do cotovelo.

Classificação de Leveuf e Pais

– Grau I: a luxação anterior é mínima, o joelho pode ser fletido até 45 a 60º e ao liberar a força de flexão ele salta para 10 a 20º de hiperextensão
– Grau II: luxação moderada com algum contato entre a tíbia e o fêmur, o joelho encontra-se em hiperextensão de 20 a 40º e pode ser fletido até a posição neutra.
– Grau III: luxação anterior completa, perda de contato total entre a tíbia proximal e o fêmur distal.

Quadro clínico

– Deslocamento anterior da tíbia proximal em relação ao fêmur distal, podendo associar-se a vários graus de genovalgo ou subluxação lateral do joelho.
– Proeminência dos côndilos femorais na região poplítea
– No Grau III, os tendões da pata de ganso estão anteriorizados, agindo como extensores do joelho
– O tendão patelar e o músculo quadríceps estão encurtados e podem estar aderidos a bursa suprapatelar fibrosada. Patela pode estar hipoplásica.
– Portanto, o aspecto ao nascimento é de joelhos em hiperextensão grave e quadril em hiperflexão, com pododáctilos tocando na parede torácica anterior ou mandíbula

Exames complementares

– Nesta deformidade os centros de ossificação do fêmur distal e tíbia proximal estão atrasados, podendo ser difícil determinar se há ou não deslocamento pelo rx, diferenciando-o do geno recurvatum (o joelho esta em hiperextensão, mas não está luxado). Para estas situações usamos o USG (anterior, lateral e poplítea) que mostra o relacionamento cartilaginoso entre os ossos.
– A RM está indicada para avaliar partes moles (ligamentos, meniscos, cartilagem articular, etc)

Tratamento

– Grau I: manipulação passiva progressiva com manutenção em gesso. Ao atingir 90º de flexão muda-se para o aparelho de Pavlik (manter dinamicamente a flexão obtida) durante 03 a 04 meses.
– Grau II: tenta-se o tratamento manipulativo e se não houver resultados (o USG confirma a redução da subluxação), alonga-se o quadríceps para facilitar a redução do joelho.
– Grau III: necessita de uma redução aberta com liberação das estruturas contraturadas, alongamento do quadríceps, reconstrução do lca (semitendinoso). A subluxação ou luxação do joelho não tratada gera instabilidade, dor, artrite degenerativa, necessitando futuramente (adulto) de prótese.

Joelho recurvado

No bebê de 03 a 04 meses é normal a flexão do joelho de 10 a 20º. Caso tenha nascido em apresentação pélvica, os joelhos podem estar hiperextendidos (20º).
– Observe que no geno recurvatum a superfície articular proximal da tíbia mantem contato com a superfície articular do fêmur distal (diferenciando-o da luxação congênita do joelho)
– Não se indica nenhum tratamento para esta deformidade, pois a medida que a criança cresce, os ligamentos tensionam-se, estabilizando o joelho.

> Arquivos de Apresentações em ppt

Autor: Dr. Márcio Silveira – ortopedista especialista em joelho
Last updated byMarcioR4
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