Luxação Congênita da Patela

    , Luxação Congênita da Patela, Ortopedista Especialista em Doenças da Patela - DF
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    Luxação é o termo que utilizamos para informar que um osso saiu do seu devido lugar. A patela (osso arredondado que fica na frente do joelho) normalmente repousa sobre o fêmur (osso da coxa). Quando ela sai do lugar, dizemos, portanto, que houve a luxação da patela. O mais comum de acontecer são pessoas cuja patela sempre esteve no lugar correto (sobre o fêmur), mas num determinado momento, saiu do lugar. Situação menos comum são crianças que já nascem com a patela fora do lugar, o que chamamos de luxação congênita da patela. Essas crianças nascem com deformidades tão significativas dos ossos do joelho (patela, tíbia e fêmur) que a patela em nenhum momento de sua vida se manteve corretamente posicionada.

    Problemas de ter luxação

    Diferente de outras deformidades do joelho, como a hiperextensão e a hiperflexão congênitas, a luxação congênita da patela não é facilmente visível porque a patela é muito pequena. Somado a isso, a criança não se queixa de dor. Em virtude disso, os pais e outras pessoas que convivem com a criança só perceberão a alteração tardiamente, alguns com 3 anos, outros com 7…10 anos. Os problemas da patela se manter luxada são:

    • A criança perde cerca da metade da força para esticar o joelho;
    • A patela e a região do fêmur onde ela deveria se repousar não se formam adequadamente, dificultando o sucesso de cirurgias corretivas.

    Como identificar que seu filho tem luxação congênita da patela

    Alguns sinais podem auxiliar os pais a identificar que algo não vai bem com o joelho de seus filhos:

    • Os joelhos ficam mais dobrados (flexionados) do que esticados;
    • Os joelhos podem ser mais “pra dentro”, ou seja, valgos;
    • Assimetria dos joelhos: um joelho é bem diferente do outro;
    • A criança se levanta de maneira anormal, estranha;
    • A forma de andar é esquisita, fora dos padrões comuns;
    • Há dificuldade para esticar o joelho. A criança até ajuda com a outra perna, ou joga a perna pra cima para pegar impulsão.

    Em geral, o diagnóstico é estabelecido imediatamente após o nascimento através do exame objectivo detalhado. À inspecção torna-se evidente o característico deslocamento anterior da extremidade proximal da tíbia em relação aos condilos femurais, permitindo a sua classificação em 3 graus:

    I – Genus recurvatum: Hiperextensão do joelho superior a 15º; conservada a capacidade de flexão completa;

    II – Subluxação anterior da tíbia sobre o fémur: Hiperextensão do joelho superior a 15º; flexão limitada do joelho a partir da posição neutra; resistência ou instabilidade à flexão;

    III – Luxação anterior: Joelho luxado anteriormente, normalmente sem flexão e instável (casos quase sempre cirúrgicos)

    As ecografias pré-natais podem fazer suspeitar o diagnóstico ao mostrar espessamento focal na área de fibrose do músculo quadriceps e uma área anormal, hiperecogénica na porção distal deste músculo. O exame radiológico pode auxiliar a avaliação da forma dos condilos femurais e tibiais e das suas relações, sendo a RMN um bom exame para avaliar o grau de fibrose do quadriceps e os ligamentos, sobretudo nos casos de luxação anterior (grau III).

    Recomendo que os pais não hesitem em buscar atendimento com o ortopedista caso identifiquem anormalidades nos membros das crianças, pois o tratamento precoce oferece melhores resultados. Um detalhe importante: crianças com Síndrome de Down têm maior risco de apresentar luxação congênita da patela.

    Tratamento da luxação congênita da patela

    O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. A escolha depende da gravidade da luxação, idade do paciente e da presença de outras deformidades associadas. O objectivo é obter uma capacidade de flexão mínima de 90º, independentemente do tipo de intervenção.

    Tratamento conservador:

    Tratamento imediato, idealmente nas primeiras 24-48 horas de vida. Redução da luxação através de manipulações de tração suaves e vários movimentos de flexão passiva dos joelhos, posteriormente imobilizados com uma tala sintética ou aparelho gessado cruro-podálico, na posição de flexão conseguida (maior grau de flexão possível). Ressalva-se especial atenção com eventuais fraturas ou deslocamentos epifisários da tíbia proximal em manipulações mais vigorosas que darão a impressão de flexão, tratando-se evidentemente de deformidade da lesão. Esta manobra deverá ser repetida semanalmente até a obtenção da completa flexão articular e a imobilização gessada tubular, geralmente é mantida durante seis semanas.

    Tratamento cirúrgico:

    Recomendado nos casos de deformidades graves ab initio (geralmente grau III), diagnóstico tardio ou falência do tratamento conservador (mais de três meses de tratamento conservador sem evidência de redução da luxação ou flexão articular mínima de 45º). As técnicas cirúrgicas mais utilizadas na correcção da LCJ são a quadricíplastia aberta mais capsulotomia anterior pela técnica de Ficher ou a secção percutânea do quadricips pela técnica de Roy e Crawford. O tratamento cirúrgico deve ser realizado antes do início da marcha, idealmente antes dos seis meses de idade. Na presença de outras deformidades associadas, o joelho deve ser tratado em primeiro lugar, seguido do pé e finalmente do quadril.

    Referência: Luxação congénita do joelho: que abordagem? Revisão teórica e experiência de um Hospital Pediátrico

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