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  • MarcioR4 updated ‘Transferência muscular funcional1 mês, 1 semana atrás


    A transferência muscular funcional é a transferência de um músculo que exerce uma função em determinada região para outra região e outra função.


    Pode ser uma transferência regional, como ocorre com o músculo latíssimo do dorso (grande dorsal) quando transferido para ganho de flexão do cotovelo.


    Ou, pode ser uma transferência muscular funcional microcirúrgica, quando, por exemplo, realizamos a retirada do músculo grácil na coxa para ganho de flexão do cotovelo ou flexão ou extensão do punho e dedos.


    A primeira transferência funcional do músculo grácil foi realizada para um paciente com lesão do plexo braquial, para que recuperasse a flexão do cotovelo e esta é, ainda hoje, a sua principal indicação.


    Indicações


    As transferências musculares funcionais podem ser realizadas para ganho de flexão do cotovelo para pacientes com lesão:

    • do tronco superior do plexo braquial que não sejam eletivos para procedimento de Oberlin
    • total do plexo braquial
    • do músculo bíceps e braquial
    • crônica do nervo musculocutâneo


    As transferências musculares funcionais também podem ser realizadas para ganho de flexão ou extensão do cotovelo para pacientes com:

    • sequela de Síndrome de Volkmann
    • lesão do plexo braquial com perda da flexão ou extensão dos dedos
    • lesão crônica do nervo mediano ou radial
    • traumas graves dos músculos flexores ou extensores


    Pré-requisitos para as transferências musculares


    Nas transferências musculares microcirúrgicas devemos lembrar que, além dos vasos receptores (artéria e veia compatíveis com o músculo grácil ou latíssimo do dorso), devemos escolher bem o nervo receptor. Este nervo irá “reanimar” o músculo transferido.


    Os músculos mais utilizados para serem transferidos são o grácil e o latíssimo do dorso, como citado anteriormente.


    O músculo grácil fica na região medial da coxa. Tanto sua irrigação quanto inervação entram na porção proximal do músculo. Isto favorece a transferência. Este músculo também tem uma capacidade contrátil que favorece a excursão (ver no texto de transferências tendíneas).


    Benefícios


    Pacientes com lesão parcial do plexo braquial (adultos ou crianças) quando iniciam o tratamento após o período em que podemos fazer transferências nervosas, como a cirurgia de Oberlin, para ganho de flexão do cotovelo.


    Pacientes com lesão completa do plexo braquial. Após estabilização do ombro (por transferência nervosa ou artrodese), podemos realizar a cirurgia para ganho de flexão do cotovelo e para ganho de flexão dos dedos, com possibilidade de “dupla transferência”, um músculo grácil para cada função.*


    Pacientes com Síndrome de Volkmann, com “necrose e substituição por gordura” da musculatura flexora. Pode-se usar uma transferência para flexão e outra para extensão dos dedos.*


    Déficit na área doadora


    Quando se retira o músculo latíssimo do dorso (grande dorsal), a cicatriz costuma ficar “alargada”, sendo queixa estética de alguns pacientes. Há perda parcial e força para rotação medial do ombro e adução do braço, que não incomodam o paciente, a não ser que seja atleta ou tenha alguma profissão que exija estes movimentos. Contudo, o ganho funcional é muito maior do que a perda.


    Ao retirar o músculo grácil, a cicatriz costuma ficar esteticamente boa, uma vez que fica na parte medial (entre os membros inferiores) na coxa. O déficit funcional é mínimo.

Traumatologia e Ortopedia

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