PERNAS INQUIETAS

Síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição de origem neurológica na qual o paciente sente um inexplicável desconforto e uma incontrolável necessidade de movimentar as pernas.

Esses episódios costumam ocorrer no final da tarde ou à noite, enquanto o paciente encontra-se sentado ou deitado. A mudança de posição e a movimentação das pernas alivia o desconforto temporariamente. Os sintomas são comuns durante o sono ou quando o paciente encontra-se inativo por muito tempo.

Durante o sono, o paciente com síndrome das pernas inquietas também pode apresentar uma condição chamada movimentos periódicos dos membros durante o sono, caracterizada por movimentos repetidos e estereotipados dos membros inferiores, que surgem, em média, a cada 40 segundos e duram apenas cerca de 2 a 4 segundos.

A síndrome das pernas inquietas acomete até 15% da população, mas muitos casos não são diagnosticados. É frequente encontramos pacientes que só foram devidamente diagnosticados mais de 10 ou 20 anos depois do surgimento dos sintomas.

A doença de Willis-Ekbom pode surgir em qualquer idade, mas ela é mais mais comum nos adultos após os 40 anos.

PERNAS INQUIETAS

CAUSAS

As causas da doença de Willis-Ekbom ainda não estão completamente esclarecidas, embora diversos estudos tenham identificado uma variedade de anormalidades no sistema nervoso central e periférico dos pacientes com esse transtorno.

A relação mais consistentemente relatada é com a redução das reservas de ferro em determinadas regiões do sistema nervoso central. Alterações no funcionamento de alguns neurotransmissores, tais como a dopamina, ácido gama-aminobutírico (GABA) e o glutamato também parecem ter papel relevante.

Cerca de 50% dos pacientes com a síndrome das pernas inquietas apresentam história familiar positiva, o que sugere a existência de um componente genético na gênese da doença.

FATORES DE RISCO

Nem todos os pacientes, porém, apresentam história familiar positiva. Nestes, a síndrome das pernas inquietas costuma ser provocada por outras doenças ou condições. As mais importantes são:

  • Deficiência de ferro (muitas vezes a deficiência não é tão grande a ponto de provocar anemia ferropriva, mas é suficiente para reduzir os estoques no sistema nervoso central).
  • Doação frequente de sangue.
  • Insuficiência renal crônica avançada, já com necessidade de hemodiálise.
  • Neuropatia periférica, que pode ser provocada por diabetes mellitus, alcoolismo, poliomielite, doenças do neurônio motor, amiloidose, etc.
  • Lesões da medula espinhal.
  • Gravidez.
  • Esclerose múltipla.
  • Doença de Parkinson.
  • Privação do sono.
  • Tabagismo.

Existe também a doença de Willis-Ekbom de origem primária, que surge sem uma causa definida e sem que o paciente tenha história familiar.

SINTOMAS

O sintoma típico da síndrome das pernas inquietas é um desejo incontrolável de mexer as pernas, geralmente provocado por uma sensação de desconforto que é sentida profundamente dentro das pernas, entre os joelhos e os tornozelos.

O paciente frequentemente apresenta dificuldade para descrever com detalhes essa sensação de desconforto. Os termos habitualmente utilizados são: “incômodo”, “agonia”, “desconforto”, “formigamento”, “a perna quer se mexer”, “câimbras”, “choques elétricos”, “pontadas”, “tensão”, “agonia nas pernas”, “coceira nos ossos”, “insetos caminhando pelas pernas” ou “pernas que se mexem sozinhas”.

Apesar de ser desagradável, a maioria dos pacientes não sente dor. Quando a dor está presente, ela geralmente ocorre devido à existência de neuropatia periférica associada, e não pela síndrome das pernas inquietas em si.

Os sintomas surgem durante períodos de inatividade, sendo mais proeminentes à noite. A movimentação das pernas alivia temporariamente o desconforto. Caminhar, alongamentos, massagens nas pernas ou aplicação de água quente também costumam causar alivio transitório.

A doença de Willis-Ekbom tende a ser uma condição crônica, principalmente nos pacientes com sintomas moderados a graves. Remissão espontânea pode ocorrer em 30 a 60% dos casos, mas ela é bem mais comum nos casos brandos e intermitentes.

Além da gravidade dos sintomas, os fatores que aumentam a probabilidade da doença se tornar crônica são a história familiar positiva ou o início do quadro após os 45 anos.

Nos casos mais graves, o paciente pode ter uma redução relevante da sua qualidade de vida, apresentando dificuldade para dormir, viajar, ir ao cinema ou ficar muito tempo sentado durante o trabalho ou reuniões.

Movimentos periódicos dos membros durante o sono

A síndrome das pernas inquietas e os movimentos periódicos durante o sono podem atrapalhar o sono do paciente, provocando insônia, privação do sono, sonolência intensa durante o dia, distúrbios de ansiedade e até depressão.

Os movimentos periódicos durante o sono se caracterizam por movimentos involuntários dos membros inferiores que surgem de forma regular e estereotipada, durando cerca de 1 a 10 segundos e em ciclos com intervalo máximo de até um minuto e meio (média de 20 a 40 segundos) entre cada movimento.

TRATAMENTO

Apesar de não haver cura para os casos crônicos, a síndrome das pernas inquietas é uma doença tratável e que geralmente responde bem à terapia farmacológica.

Os objetivos principais do tratamento são reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida e de sono do paciente.

O primeiro passo costuma ser a dosagem dos níveis de ferro sanguíneo do paciente. Caso o nível de ferritina esteja abaixo de 75 mcg/L, a reposição de ferro por via oral é recomendada.

Também é importante suspender o uso de fármacos ou substâncias que possam agravar os sintomas da doença de Willis-Ekbom. Os mais comuns são:

  • Cafeína.
  • Cigarro.
  • Antidepressivos (exceto bupropiona).
  • Antipsicóticos.
  • Metoclopramida.
  • Anti-histamínicos com ação sedativa.

A prática de exercício físico, pilates, meditação, alongamentos e massagens regulares também ajudam nos casos mais leves.

Nos pacientes em hemodiálise, a troca de estratégia dialítica para sessões diárias e mais curtas também costuma resultar.

Se nenhuma das medidas acima tiver sucesso, o tratamento farmacológico deve ser iniciado.

A gabapentina e a pregabalina também são medicamentos eficazes e podem ser usadas como primeira opção de tratamento farmacológico.

MedicaçãoDose inicialDose máxima
Levodopa50 mg ao dia200 mg à noite
Pergolide0,25 mg0,5 mg dividido em duas doses diárias
Pramipexol0,125 mg ao dia1,5 mg dividido em 2 a 3 doses
Ronipirol0,25 mg ao dia3 mg divididos em 2 a 3 doses
Codeína30 mg à noite180 mg divididos em 2 a 3 doses
Gabapentina300 mg ao dia3600 mg divididos em 3 doses
Cabergolina0,5 mg à noite4 mg à noite
Clonazepam0,25 à noite2 a 4 mg à noite
Em pacientes dialíticos existem estudos com levodopa e pergolide, o que torna estes agentes provavelmente a primeira escolha nesses casos.
 
Uma sugestão de tratamento poderia ser a seguinte:

-Repor ferro em pacientes com deficiência;
-Medidas não farmacológicas como evitar cafeína, atividade física, entre outras.
-Iniciar agente dopaminérgico;
-Caso sem melhora trocar para gabapentina;
-Se sem resposta usar outro agente dopaminérgico;
-Adicionar um segundo agente como um benzodiazepínico, gabapentina ou opioide.
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