retalho interosseo posterior

Retalho interósseo posterior de Zancolli e Angrigiani

 O retalho da artéria interóssea posterior é um retalho em ilha pediculado, fasciocutâneo, suprido por ramos da artéria interóssea posterior. Esse retalho pode ser baseado tanto distalmente, graças à anastomose distal entre as artérias interósseas anterior e posterior, como proximalmente. A utilização desse retalho é procedimento que amplia as técnicas de cobertura em perdas de substâncias no membro superior.

Foi apresentado em 1986, por Zancolli & Angrigiani, como um retalho em ilha do antebraço que consiste de pele e tecido celular subcutâneo irrigado por fluxo retrógrado, através da artéria interóssea posterior e seus ramos cutâneos, e retorno venoso pelas veias satélites. O fluxo sanguíneo arterial chega pela anastomose distal da artéria interóssea posterior com a artéria interóssea anterior. Estes autores promoveram estudo anatômico com dissecções em cadáveres frescos injetados e observações baseadas em casos clínicos no uso do retalho.

A reconstrução das perdas de substância dos tecidos moles do segmento distal do antebraço, punho e da mão é um desafio. Lesões teciduais nestas regiões são causadas principalmente por traumas podendo levar a exposição óssea, tendínea, nervosa e/ou vascular. Tais lesões podem necessitar de retalhos locais, regionais ou microcirúrgicos para cobertura dos defeitos presentes, minimizando infecção, promovendo proteção e facilitando futuras reconstruções. A reconstrução dos tecidos moles destas regiões deve ser rápida, preferencialmente em único procedimento, permitindo mobilidade precoce e curta internação, com o objetivo de alcançar resultados funcionais e estéticos satisfatórios.

retalho interosseo posterior

Vários tipos de retalhos podem ser utilizados na cobertura do terço distal do antebraço, punho e da mão.

Retalhos locais (Atasoy, Kuttler, Litter, Morberg) são utilizados para pequenas perdas de tecidos e com indicações específicas.

Retalhos livres obtidos em outras regiões apresentam inconvenientes, tais como: longo tempo cirúrgico, dificuldades técnicas e necessidade de conhecimento e material microcirúrgicos.

Os retalhos pediculados regionais apresentam problemas como edema pós-operatório, grande espessura do retalho e maior tempo cirúrgico quando comparados aos retalhos locais. Porém são realizados no membro traumatizado, garantem cobertura segura e estável, além de permitirem procedimentos de reconstrução posteriores e mobilidade precoce. O retalho antebraquial de fluxo retrógrado baseado na artéria radial (retalho ‘chinês’), assim como o retalho baseado na artéria ulnar garantem tais vantagens. Contudo, são retalhos que sacrificam as principais artérias de irrigação da mão, além de apresentarem grandes danos às áreas doadoras. O retalho dorso-ulnar apresenta pedículo curto e limitado para rotação, sendo indicado em defeitos dorso-ulnar e palmar proximal. O retalho da artéria interóssea anterior possui pedículo frágil e anatomia variável.

O retalho baseado na artéria interóssea posterior é retalho fasciocutâneo em ilha fino. Ele está indicado nas lesões do terço distal do antebraço, dorsais do punho e da mão, da primeira comissura e da região tênar. Este retalho é confiável e boa cobertura, além de não sacrificar as artérias vitais para a perfusão da mão, com mínima morbidade na área doadora.

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