Mitos da Traumatologia e Ortopedia

Diversos termos e condutas relacionados à ortopedia são ditos e utilizados de forma incorreta, criando alguns mitos. Abaixo alguns esclarecimentos a respeito destes mitos:

1- “Foi só uma luxação!”
Esta afirmação é muito comum, e muitas pessoas acham que luxação é algum tipo de contusão, “pancada”ou trauma leve. Na realidade, luxação ocorre quando um osso se desloca da sua articulação. Exemplos: luxação do ombro é quando o ombro é deslocado, em outros termos, é quando sai do lugar. O mesmo para luxação do dedo da mão ou pé, quando ocorre o deslocamento. Geralmente as luxações lesam ligamentos importantes da articulação, sendo portanto lesões graves, em algumas situações mais graves que fraturas.

2- “Tendinite não tem cura”
Muitas pessoas que realizam movimentos repetitivos apresentam inflamações dos tendões, estruturas que conectam o músculo ao osso. Em casos crônicos (mais de 2 meses com a tendinite), o tratamento pode ser difícil e lento, porém dificilmente uma tendinite deixa sequelas, e frequentemente tem cura.

3- “Tive uma rejeição do metal”
É possível o nosso organismo produzir uma reação inflamatória contra algum material introduzido no corpo humano, como por exemplo contra metais, causando o que popularmente é chamado de rejeição. Porém é infrequente isto ocorrer com implantes metálicos ortopédicos. O que geralmente ocorre é um processo infeccioso causado por bactérias que aderem ao metal, e são de difícil tratamento pela dificuldade dos antibióticos agirem nesta região, sendo geralmente necessária a retirada dos implantes e limpeza cirúrgica.

4- “Tenho uma platina no osso”
Platina é um metal de transição. Atualmente, os implantes metálicos (placas, parafusos, próteses…) são constituídos por ligas metálicas, porém não é utilizado platina.

5- “Existe remédio para formar cartilagem?”
Nos últimos anos foram muito utilizados medicamentos para proteção da cartilagem das articulações, os chamados condroprotetores. Existem alguns tipos de condroprotetores, porém nenhum tem comprovação que estimula a produção de cartilagem. Estudos consideram que não protegem a cartilagem. Os mais utilizados e estudados são os compostos com glicosamina e condroitina, e colágeno não hidrolisado tipo 2.

6- “Gelo ou quente?”
Dependendo da lesão e região do corpo acometida, existem algumas variações da utilização das compressas quente ou fria. De forma geral, logo após a lesão, ocorre a fase inflamatória aguda, com edema e sinais inflamatórios evidentes. Neste momento o gelo é o mais indicado, para inibir uma resposta inflamatória muito exuberante. Na fase seguinte, fase proliferativa, ainda há uma reação inflamatória, menos intensa, e ocorre o início da cicatrização. Neste momento, devemos utilizar o gelo para inibir a inflamaçãoo exuberante e utilizar o calor para estimular a chegadas de células cicatricias na região. Portanto nesta fase é interessante a troca de calor. Na fase final, ou fase cicatricial ou remodeladora, já não é necessário o gelo, pois a reação inflamatória não é muito importante, então o mais adequado é a aplicaçãoo do calor local. Vale citar que para cada tipo de lesão e local acometido, o tempo de cada fase pode variar, portanto o tempo que devemos realizar gelo, troca de calor e calor local somente varia.

7- “Fissura no osso é fratura?
É muito comum escutarmos: “tive apenas uma fissura no osso, mas não quebrou”. Vamos esclarecer: quebrar o osso = fratura. Existem fraturas completas e incompletas. Uma pequena “rachadura” no osso ou um mínimo “trincado” no osso são considerados fraturas incompletas, e devem ser tratados como fraturas, com tempo de cicatrização semelhante a fraturas completas. Portanto, qualquer “fissura”, “trincado”, rachadurinha”, são fraturas.

8- “É possível quebrar um osso do pé ou tornozelo e conseguir andar?
Sim! Existem fraturas com desvio e em locais que causam muita dor, e nestes casos dificilmente a pessoa consegue andar. Porém existem fraturas sem desvio ou estáveis que causam pouca dor, e aí sim é possível que a pessoa ande, e em algumas situações até continue realizando a atividade esportiva no momento da fratura.

Medicina e os erros de língua portuguesa – Traumatologia e Ortopedia

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