Medicina e os erros de língua portuguesa

As mais utilizadas são patologia como sinônimo de doença e cirurgia como sinônimo de operação, estão ambas erradas, veja a referência: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-86502001000400017&script=sci_arttext

A

ABORTO legal?
Errado. Aborto é o produto do abortamento. Portanto, abortamento legal.

ABORTO INDUZIDO
É uma tradução mal feita de induced abortion = abortamento provocado.

ABRUPTAMENTE – A febre instalou-se abruptamente.
Lê-se preferentemente “ab-ruptamente” e não “abruptamente”. O mesmo que para “sub-linhar”.

ABSCEDAR? – “A ferida abscedou” ou “A ferida abscedeu” ?
A segunda, pois o verbo é absceder.

ABSCESSO ou ABCESSO – Tanto faz.

ACURÁCIA – Não existe esta aberração (tradução mal feita de accuracy, que quer dizer precisão, exatidão). A versão mais recente do Aurélio Século XXI traz este verbete (na nossa opinião, desnecessário, visto que existem palavras que o substituem perfeitamente).
Obs: Para os epidemiologistas PRECISÃO e ACURÁCIA têm significados diferentes. PRECISÃO é o grau em que uma variável tem valores semelhantes quando medida várias vezes. ACURÁCIA é o grau em que a variável representa o que realmente deveria representar.

ADEQUAR – Esta hipótese não se adecúa ao quadro clínico (ou se adéqua) ?
Nenhum dos dois. Adequar é defectivo.
Obs: Em Portugal é diferente (a frase estaria correta lá – adecúa). Lá, a pronúncia quase omite o “e” (átono).

ADESÃO – Apesar de adesão ser o ato de aderir, não tem nada a ver com aderências (aderências pélvicas, aderência entre órgãos etc). É uma tradução mal feita de adhesion= aderência

AMORFO – pronuncia-se aberto (amórfo) e não fechado (amôrfo)

ANEMIADO – não existe (anemiar).

ANSA – Ansa de LEEP? – É como os portugueses chamam alça. Não está errado.

ANTABUS? – Para quem não sabe, ANTABUSE® é o nome comercial do disulfiram (droga para combater abuso de álcool). Pronuncia-se antabiuse e não ântabus. Muitos falam “efeito Antabuse”. Melhor seria efeito DISSULFIRAM.

ANTISSÉPTICO? ANTISSEPSIA? – A palavra correta é anti-séptico e anti-sepsia. ANTI recebe hífen antes de h, r e s. Na nova ortografia está correto.

ANTIRRETROVIRAL ou ANTI-RETROVIRAL? – Na nova ortografia é antirretroviral.

APUD – A pronúncia é apud e não ápud. Quer dizer junto a (preposição latina). Usada em bibliografia para indicar que a citação de determinado autor é indireta.

C

CAPUT – A pronúncia é caput ou cáput? É caput mesmo. Da mesma forma que apud (e não ápud)

CATETÉR – Pelo dicionário deve ser assim pronunciado: catetér. Mas o termo é derivado do francês cathéter, que por sua vez vem do latim tardio catheter. Em latim o acento regularmente cai na penúltima sílaba (vide trocarte e liquor). Acho que devemos continuar a pronunciar catéter.

CESAREAR – Paciente cesareada?
O verbo cesarear não existe. Diga: submetida a uma operação cesareana.

CERCLAGEM – Sabe Deus de onde veio isto. Quero crer que a intenção foi de alguma coisa que promovesse um círculo – cicle(inglês). cercle (francês). O mais próximo em português seria cercamento (ato de cercar = rodear, circundar, estar em volta de). A edição mais recente do Aurélio revela que a palavra vem do francês cerclage.

CIRURGIA – da mesma forma que PATOLOGIA (ver abaixo), Cirurgia é uma área de conhecimento. Ninguém se submete a uma cirurgia, mas a uma operação cirúrgica.

CLÍTORIS ou Clítóris?
Vem do grego kleitorís, portanto, clitóris

CASCA DE OVO – Aquele colchão que se usa em hospitais e em pacientes acamados por longo período não é colchão “casca de ovo” (no mínimo é tortura alguém deitar em cascas de ovos). O correto é “CAIXA DE OVOS” (não que alguém aprecie deitar sobre caixas de ovos, mas devido à parecença).

COLAR CERVICAL -. Essa aberração veio do inglês (sempre sobra para o inglês) Cervical Collar que, literalmente, significa Colarinho Cervical o que, mesmo em inglês, já pisa na bola porque o colarinho não pode estar noutro lugar que no pescoço; portanto é cervical sempre. O suspeito é que os de fala inglesa (provavelmente americanos) quiseram deixar claro que o tal colarinho serve para segurar a coluna cervical e abreviaram ‘colarinho que serve para segurar a coluna cervical’ para ‘colarinho cervical’ e deu nessa bobagem.

CONFIDENCE – Não é confidência e sim CONFIANÇA.

CONSENSO GERAL – Quando se atinge um consenso (acordo de idéias), pode não ser unânime.

CONSENSUAR – Não existe

CORRIMENTO OU ESCORRIMENTO? – Ambos, embora corrimento seja efeito de “correr” e escorrimento de “escorrer” (a segunda seria a mais correta, não fosse a primeira consagrada pelo uso em medicina.

CREPTANTES – Estertores creptantes? Negativo! São crepitantes.

D

DAR À LUZ A UM FETO – Errado! Ninguém dá luz ao rebento. “Luz” aí está no sentido de “mundo”. O nascituro é dado ao mundo. Logo, deve-se dizer “dar à luz um feto”.

DESAPERCEBIDO – Este sintoma passou-me desapercebido? Não, o sintoma passou-lhe despercebido. Desapercebido significa não estar preparado para alguma coisa, desprevenido, desacautelado.

DEBRIDAR – Desbridar e debridar são sinônimos

DEGLADIANDO – Na reunião clínica os colegas estavam se degladiando.
O certo é digladiar. Dois que lutam com gládios (espada antiga).

DE PER SE – É DE PER SI para Houaiss. Paulo Ronái grafa de per se (como o aval do Aurélio). O curioso é que Aurélio no seu dicionário, no verbete per (preposição), grafa com i. Em latim, gramaticalmente, tanto o acusativo como o ablativo se grafam com e no fim. Mas como per e si existem em português, ambas as forma estão corretas.

DEPRIVAÇÃO – Não existe. É somente privação (privar)

DESENHO DO ESTUDO – Tradução mal feita de “Study design”. Aqui o design não tem nada a ver com desenhar. O termo correto é delineamento. Delineamento do estudo.

E

ENTUBAR – Entubar ou Intubar?
Entós (grego)= posição interior. Documenta-se em vocábulos introduzidos na linguagem científica a partir do século XIX.
Intus (latim)= para dentro.
Como tubo(cânula endotraqueal) vem do latim tubus, a palavra correta é intubar.
EMINÊNCIA de eclâmpsia? – Eminência, é usada para cardeais. Uma coisa que está prestes a acontecer, está na iminência de acontecer. Logo, iminência de eclâmpsia.

EROSAR – Não existe (de erosão).

ESCÓTOMA – Não tem acento. É escotoma mesmo.

ESPECTAÇÃO – Sala de expectação ou espectação?
É a sala de quem espera o parto. Mas se escreve expectação.

ESTÁDIO ou ESTADIO – Claro que estádio (=fase)! Vem do latim stadium derivado do grego stádion.

ESTATISTICAMENTE SIGNIFICATIVO – Termo usado equivocadamente no sentido de estatisticamente significante. Um resultado estatisticamente significativo é uma coisa “importante para a estatística”. Significante em estatística é quando “a probabilidade de explicar um resultado com a variação amostral é pequena”.

EXERESE – Exerese ou exérese? – Vem do latim exaeresis (derivado do grego exáiresis). ë portanto exérese.

ESTUDO DUPLO-CEGO – Dá-se preferência ao termo “mascarado”, vez que o estudo pode versar sobre indivíduos que perderam a visão.

F

FASCEÍTE – Fasceíte necrotizante? É não! É fasciíte (vem de fáscia). Também conhecida como síndrome de Fournier (descrita inicialmente para cirurgias do testículo). v. NECROSANTE

FAZER FEBRE? – “A paciente está fazendo febre”
Ninguém faz febre e sim, tem febre

FISTULIZAÇÃO ou FISTULAÇÃO?.
A segunda, o verbo é fistular.

FAZER ANTIBIÓTICO – Vamos fazer cefalotina neste caso.
Nem no caso (vai ser na paciente), nem fazer cefalotina (se fabricar, vai ficar rico). Administra-se o antibiótico.

FLATOS – Soltar flatos, ou eliminar flatos?
Eliminam-se flatos e soltam-se puns. 🙂

FUSIONADAS -É como imaginam os que não gostam do verbo fundir (não existe fusionar). É fundido.

G

GEMELIDADE – Gemelaridade ou Gemelidade? – Gemelar é relativo a gêmeos. Gemelidade não existe.

GLÂNDULA CERVICAL – A cérvix não tem glândulas e sim criptas, pelo serem abertas

GRAMA – Uma grama de cefalotina a cada quatro horas
Uma grama é capim. Um grama é o correto

GRAVIDEZ INDESEJADA – O termo correto é gravidez não programada. Uma gravidez que não foi desejada pode vir a sê-lo a posteriori.

H

HEMOPTÓICO – Escarros hemoptóicos. Não existe esta palavra. O correto é hemóptico. Vem de hemoptíico, que por sua vez vem do grego haimoptuïkós (que escarra sangue).

HIPEREMESE – Tem acento. É hiperêmese (vem do grego émesis = vômito)

HIPOGÁSTRIO – Tumor “no hipogástrio” ou “em hipogástrio”? Nenhum dos dois. O correto é tumor na projeção do hipogástrio (plano imaginário projetado na parede abdominal)

HIPOINTENSO – Outra dos ultra-sonografistas. No mínimo fica esquisito. Não seria melhor dizer fraco?

HIPÓTESE – Não se interroga hipótese. Ela é sempre afirmativa.

HISTEROSCOPAR – Não existe.

HIPÓTESE NULA – (null hypothesis). Não é a hipótese que é nula, mas sim o que ela postula (diferença nula). É chamada nula por que os resultados são expressos negativamente, para sugerir que nenhuma diferença é esperada. O correto é Hipótese da Nulidade.

I

IMPORTANTE – Edema importante de membros inferiores??? Importante quer dizer : que importa, tem mérito, essencial. Não tem nada a ver com intensidade! Use intenso, acentuado…

INCESTO – Incesto, tem o “e” aberto (incésto) e não fechado (incêsto).

INCISAR – Não existe (de incisão)

INGILHADO – A palavra correta é ENGELHADO. Vem de GELHA=RUGA

INTERATIVA – Cesárea interativa? – É verdade que a maioria das equipes de cirurgiões operam coesas, com interação. Mas cesárea iterativa é aquela que depende de outra cesárea que a antecedeu para que seja realizada.

INVASIVO OU INVASOR – Câncer invasivo ou Câncer invasor? Ambos são adjetivos e podem ser usados como tal. Só invasor pode ser substantivo.

J

JORNADA – Encontro realizado em apenas um dia. Congresso é um encontro de maiores dimensões, e geralmente é nacional/internacional. Simpósio é um encontro relacionado a determinado tema. Oficina é encontro que envolve atividades pedagógicas para desenvolvimento de aptidões, treino cirurgico etc.

L

LAPAROTOMIZAR – (de laparotomia). Não existe

LAQUEADURA – Até onde eu conheço, laquear significa “passar verniz”, ou laquê (penteado das mulheres). Use ligadura tubária, ou salpingotripsia.

LESIONAR – NÃO EXISTE. O correto é lesar.

LÍQUOR – Os letrados em português querem que seja liquor (com o “o” fechado). O acento em latim cai regularmente na penúltima sílaba, quando longa. Quando a penúltima é breve cai na antepenúltima.

LINFADENECTOMIA – O correto é linfonodectomia. Adeno é relativo a glândula. Gânglio é tecido nervoso.

M

MAMA – Quadrante interno e externo? Não. Quadrante lateral e medial. Obs: Seio não é o mesmo que mama. Seio é o espaço entre as mamas. Também não se diz tumor de mama, mas tumor na mama. Tumor de mama, é tumor formado por tecido mamário.

MÁ-FORMAÇÃO – Má-formação ou malformação?. Mal é um prefixo latino, portanto invariável. Usa-se malformação (plural= malformações). Os estudiosos do Português dizem que é errado usar malformação, que é termo usado por médicos. Não concordo. Vejam o caso de justaposição/justaposto. Porque não é justoposto? Porque só querem variar o prefixo “mal”? Acredito que prefixos são elementos comparativos, e não adjetivos, substantivos ou advérbios. Não existem em dicionários da língua portuguesa, e sim em dicionários gregos e latinos. Pode até se usar má-formação, mas o mais correto é malformação. Observem também a regrinha do particípio: antes das formas terminadas em -ado e -ido deve ser usado “mais bem” e “mais mal”.

MALFEITO – Mal feito ou malfeito (set/99). Mal feito se refere a uma coisa que não é bem feita. Malfeito é um substantivo correspondente a uma malfeitoria, maldade.

MENOPAUSAR – menopausar existe?
Ipsisi literis não, mas pausar existe. Portanto pode-se dizer, que a paciente menopausou, ou está menopausada.

METASTATIZAR (de metástase). NÃO EXISTE

METODOLOGIA – Metodologia não é sinônimo de Material e Métodos. Metodologia significa estudo do método. Quando no estudo existem pacientes, é melhor não chamá-los de Material. Passa a ser Pacientes e Método(s).

MICROFOTOGRAFIA – Microfotografia é uma fotografia bem pequeninha. O correto é fotomicrografia

MÚLTIPLAS VÍTIMAS – Na área de urgência é frequente a utilização do termo “múltiplas vítimas”, provavelmente devido a tradução livre do termo “mass casuaties incident”. Na verdade, múltiplo se usa quando o número é maior que três. Segundo classificação elaborada pela SAMU 192 Salvador, o termo correto é “vítimas numerosas”. Desta forma este termo se usa para qualquer situação na qual se exceda a capacidade
de resposta de 3 unidades de atendimento pré hospitalar, quer pelo número quer pela gravidade das mesmas.

N

NECROTIZANTE – Necrotizante é invenção. É uma tradução malfeita de necrotizing, que quer dizer necrosante.

NOSOLOGIA – Não é sinônimo de doença. É a parte da medicina que trata da classificação das doenças.

NASCITURO – Só para nascidos vivos. Quando é morto é MORITURO.

O

OBESO – O e é aberto. Pronuncia-se obéso e não obêso

OBITUAR – Invenção engraçadíssima, para substituir morrer. Se não quiser usar morrer, use fenecer, sucumbir, perecer…

OBSOLETO – O e é aberto (obsoléto)

OBSTACULARIZAR ou OBSTACULAR – NÃO EXISTEM. Nem um, nem outro. O correto é obstaculizar.

OCITOCINA OU OXITOCINA – O correto é o segundo, bem como seu derivado “oxitócico”

OPSTÓTONO – Errado. O correto é opistótono.

OPTAR – Foi optado por uma laparotomia!?!? Quem foi optado???? Isso não existe. Não é mais fácil dizer “Optou-se”?

OSTEOPORIZADA – Paciente osteoporizadas (?!). Esta é uma pérola…

OVÁRIOS MICROPOLICÍSTICOS – Melhor polimicrocísticos (= com muitos pequenos cistos)

P

PACIENTES – Nem toda pessoa que entra numa pesquisa é doente. Use Participante ou Sujeito. Jamais chame o participante de Material!

PALMAS – Palmas das mãos e Plantas dos pés – As palmas já são das mãos, e as plantas já são dos pés. Já imaginou planta das mãos? Ou palmas dos pés? É redundância.

PARIR- É um verbo irregular. Não tem a primeira, a segunda e as terceiras pessoas do presente do indicativo. Também não tem o presente do subjuntivo. Habitualmente só se conjuga nas pessoas em que ao r da raiz se segue a vogal i. Veja também nascituro e secundinas.

PARTURIR – Não existe. O verbo é parir. O que existe é parturição, parturejar, parturiente.

PATOLOGIA – A maioria das patologias do colo uterino são vistas à colposcopia. ERRADO! – Patologia não é sinônimo de doença! Patologia é a ciência que estuda as doenças (pathos=doença/ logos=estudo). O mesmo para sintomatologia (não é sinônimo de sintoma). Sintomatologia é o mesmo que semiologia/semiótica, ou seja, conhecimento e estudo dos sintomas que indicam estados mórbidos.

POLI-HIDRÂMNIO, POLIDRÂMNIO OU POLIIDRÂMNIO – Não consta nos dicionários, mas, como poli não recebe hífen e o h mudo no meio da frase é descartado, fica POLIIDRÂMNIO (o mesmo para OLIGOIDRÂMNIO). Oligo se pronuncia como se lê (não é óligo).

PERITÔNEO – Peritôneo ou peritônio? – Peritônio é o correto. O adjetivo referente é peritoneal, e não peritonial. O mesmo não funciona para cesárea e cesariana.

PERÍNEO ANTERIOR – Períneo é a região anatômica que fica entre a fúrcula da vulva e o ânus. Logo, não existe períneo anterior.

POSITIVO – Paciente HIV positivo ou positiva? – Este é um caso de silepse, ou seja, a concordância se faz pelo sentido e não pela forma. Então HIV positivo (teste HIV é masculino, mas a paciente é feminino) Ex: Nacionalidade = brasileiro (se o inquirido for masculino)

PREMONITÓRIO – Período premonitório ou premunitório do parto? Premunitório é o correto. Vem de premunição (= preparação). Premonição é o dom dos adivinhos.

PRÉ-REQUISITO? Bela redundância! Requisito é uma condição que se deve satisfazer para se atingir certo fim.
Logo, requisito é suficiente. Já vi escreverem requesito!

PSEUDO-POLIPÓIDE – Pseudo-pólipo é uma coisa que parece um pólipo, mas não é pólipo. Polipóide é uma coisa em forma de pólipo. Logo pseudo-polipóide me parece exagero (ou redundância)

R

RAIO X – O raio não é único. São vários. Portanto, Raios-X.

REBORDA COSTAL – O correto é REBORDO (borda revirada). Existe borda, mas não reborda.

REALIZAR – Paciente realizou curetagem uterina? (11/99) – Ela não realizou nada. Presume-se que ela não saiba fazer curetagem. Ela submeteu-se a uma.

REFERENDAR – Significa assinar embaixo. Não é a mesma coisa de “aprazar”, como muitos usam.

RODIZIAR – rodiziar (de rodízio), NÃO EXISTE

ROTURA, rutura ou ruptura – da bolsa das águas? Rutura não existe. Pode ser rotura (de roto) ou ruptura (de romper)

RAQUI – Nada! É raque. Se fosse com i, era oxítona.

REFERENDAR – Referendar quer dizer “assinar em baixo” e não tem nada a ver com encaminhar uma paciente a determinado ambulatório, como costumam usar alguns.

RESGATAR EXAMES – No sentido de procurar o exame, não soa bem. Parece coisa de bombeiros, SAMU etc. Resgatar é salvar, recuperar algo perdido, pagar resgate de seqüestro, e por aí vai…

RETRATAMENTO – Retratar é fazer um retrato ou revelar-se. Não existe como “fazer um novo tratamento”. Talvez o termo mais adequado seja “recomeço de tratamento”.

S

SACARROLHA – Vaso em saca-rolha, saca-rolhas ou sacarrolha(s)? – É saca-rolhas, mesmo quando se usa no singular.

SANGRAMENTO VAGINAL – Só se for das paredes da vagina. O correto é sangramento genital até que se prove de onde o sangramento vem (cavidade uterina, colo, intróito etc).

SECREÇÃO VAGINAL – Secreção não é sinônimo de corrimento. Secreção é produto glandular (bile, suor, leite, muco). Melhor usar corrimento, conteúdo vaginal, descarga vaginal, pus.

SECUNDINAS – O mesmo que páreas (placenta e anexos). Não confundir párea com pária (homem excluído da sociedade).

SER HUMANO MARAVILHOSO – É verdade que nem todo ser é humano. Mas “ser humano maravilhoso” não dá! Só pode um adjetivo por vez. Dois, só se puser vírgula.

SEVERA – Hipertensão severa? Errado! é hipertensão GRAVE. A tradução de severe (inglês) é grave e não severa. Severo significa austero, rígido, rigoroso. Só pode usar como “acentuado” no sentido figurativo.

SOBRESSAIR – Não é pronominal. Não se diz “se sobressaiu”. Ex: A febre foi um sintoma que sobressaiu no quadro clínico.

SUBSÍDIO – Não se pronuncia subzídio e sim subssídio

SUMARIZAR – Os dados da pesquisa estão sumarizados neste diapositivo. Errado! O verbo é sumariar (vem de SUMÁRIO). Portanto, os dados estão sumariados.

SINTOMATOLOGIA – Não é a mesma coisa de sintoma. Sintomatologia é o conhecimento e estudo dos sintomas que indicam estados mórbidos. Não se deve dizer “sintomatologia clínica”, e sim “sintomas clínicos”.

T

TENDER – Tender menos e tender mais. É bastante diferente se dizer que “as pacientes tendem menos a ter dispareunia”, a dizer que “as pacientes tendem a ter menos dispareunia” (esta última é o correto). Tendência em estatística é uma coisa, em português é outra.

TÊNAR OU TENAR – A primeira (é paroxítona). O mesmo para hipotênar.

TERÇOL OU TERSOL? – Ambas. São homônimas. Vêm provavelmente de “torce olhos” (torsolho, torsol, ters-ç-ol). Pra médico: melhor usar hordéolo.

TRANSLUSCÊNCIA nucal? – Esta palavra não existe!. É uma tradução mal feita do inglês transluscency .
O termo correto é translucidez.

TOXEMIA SUPERAJUNTADA? – Novamente outra tradução mal feita (superimposed=superposta).
O certo é toxemia superposta

TÓXICO – A pronúncia é tócsico e não tóchico.
Curiosidade: Sintaxe pronuncia-se sintasse.

TOXIDADE – Não existe. É toxicidade. Tem como sinônimo toxidez.

TRICOTOMIA – Curiosidade: não confundir com “dividir em três partes” (dicotomia = duas partes).

TROCARTE – É o que tem no dicionário! Não existe trocáter.

TUMOROSA – Está correto

V

VIZIBILIZAR – “Os ovários não foram vizibilizados ao exame ultrassonográfico”
Nem é vizibilizados, nem ultrassonográfico. Os termos corretos são: visualizados e ultra-sonográfico (na nova ortografia será ultrassonográfico).
Existe o termo visibilisar, que significa “tornar visível”. Quem torna os ovários visíveis é o cirurgião, quando faz uma laparotomia e os expõe.

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