kafo blunt

Imobilizador BRACE tipo KAFO ou inguinopodálico na doença de Blount

A doença de Blount é um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por crescimento desordenado da face medial da epífise tibial proximal, resultando em deformidade progressiva dos membros inferiores. Embora também seja referida como varo tibial (porque a deformidade do plano coronal em varo é mais distinta), a doença geralmente resulta em uma deformidade multiplanar do membro. A doença de Blount também pode estar associada a uma discrepância no comprimento do membro e, em alguns pacientes, deformidade do fêmur distal também.

O diagnóstico diferencial inclui: persistência do geno varo fisiológico, raquitismo, osteodistrofia renal, deficiência de vitamina D na dieta, resistência à vitamina D (raquitismo hipofosfatêmico) e displasia esquelética como disostose metafisária, mucopolissacaridoses e trombocitopenia com ausência do rádio. Deformidades pós-traumáticas, sequelas de infecção, acondroplasia displasia fibrosa e tumores, também fazem parte do diagnóstico de exclusão. Para o diagnóstico diferencial e acompanhamento de doenças metabólicas, deve ser solicitado cálcio (Ca), fósforo (P), magnésio (Mg), fosfatase alcalina (FA), hormônio da paratireóde (PTH) e 25-OH vitamina D. A maioria desses diagnósticos são facilmente distinguidos do verdadeiro Blount por uma história sobre doenças clínicas, baixa estatura, deformidade esquelética generalizada e, obviamente, ausência de semelhanças radiográficas.

O tratamento pode envolver a órtese com um compasso de calibre sólido de descarregamento tipo KAFO (knee ankle-foot orthosis) ou inguino-podálica com distrator medial para o tratamento da doença de Blounts com os fundamentos primários sendo:

– As forças mecânicas aplicadas por um KAFO lateral vertical pressionam o compartimento medial do joelho.
– O KAFO vertical medial concentra a força corretiva sobre a área da deformidade (tíbia proximal) ao invés do joelho.

kafo blunt

O uso da órtese ainda não é protocolado, alguns autores defendem o uso da órtese em período integral, outros em período diurno e outros noturno. Os estudos de Raney et al. (1998) mostraram resultados semelhantes com o uso da órtese noturna e em período integral. Já estudos de Zionts et al. (1998) indicavam uso durante o dia e liberada a noite, apresentando também taxas satisfatórias de correção.

As indicações são: crianças com idade inferior a 03 anos, acometimento unilateral e Langenskiöld estágios I e II. Já os pacientes acima de 04 anos, com peso acima do percentil 90, acometimento bilateral, deformidade progressiva e falha do tratamento ortótico não apresentarão bons resultados com tratamento conservador e a osteotomia é melhor indicada para eles.

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Traumatologia e Ortopedia
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