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História da Traumatologia e Ortopedia

 A traumatologia é o ramo da medicina especializado no estudo, no diagnóstico, tratamento, no acompanhamento e na prevenção dos traumatismos e de suas consequências. 

    A palavra “trauma” tem origem grega e significa “ferida”. Na medicina, o trauma é tido como um ou mais acontecimentos não previstos e indesejáveis que, muitas vezes, de forma violenta, atingem pessoas e produzem alguma forma de lesão ou dano. 

    Entre as causas mais conhecidas de trauma, estão os acidentes (ex: trânsito e as quedas acidentais) e a violência (ex: agressão por arma branca ou de fogo), que podem ou não levar a óbito. Esse conjunto de eventos é chamado de “causas externas”. 

    Atualmente, no Brasil, a Traumatologia e a Ortopedia são especialidades unificadas, visando principalmente ao estudo e ao manejo dos traumatismos do Sistema Locomotor (ex: ossos, músculos, ligamentos e articulação). 

    O especialista médico o qual trabalha com trauma do sistema locomotor é conhecido como “Ortopedista e Traumatologista” ou, simplesmente, “Ortopedista”. 

    Desde os primórdios do ser humano, já existem evidências de tratamentos traumatológicos. Em fósseis de homens primitivos, foram achados ossos fraturados que consolidaram com bom alinhamento, o que leva a inferir que, possivelmente, já era utilizado algum tipo de imobilização para ajudar no processo de consolidação óssea. A título de exemplificação, no Egito, algumas múmias foram encontradas utilizando talas feitas de bambu e acolchoadas com linho.

    Sem dúvida, um dos achados históricos mais interessantes sobre traumatologia foi o papiro de Edwin Smith, roubado de uma tumba em 1862. Tal papiro classificava os traumas de acordo com seu prognóstico e sua autoria fora atribuída a Imhotep (médico, arquiteto, astrólogo, chanceler do faraó e sumo-sacerdote do deus-sol Rá). Imhotep ficou popularmente conhecido como antagonista da série de filmes A Múmia (1932, 1999 e 2001).

A história da ortopedia se mistura com a história da humanidade e podemos encontrar relatos de importantes civilizações que utilizavam técnicas hoje consideradas parte da ortopedia. Um dos primeiros registros se dá no Egito e por volta de 2.000 a.C. Nesta época, já era possível encontrar alguns instrumentos vinculados à ortopedia, na tumba de Hirkouf, onde havia uma escultura utilizando muletas.

Após a era egípcia, vieram os gregos, bem representados por Hipócrates (460 a.C.-377 a.C. ?). Considerado o pai da medicina, ele escreveu o famoso “Corpus Hippocrates”, que, já naquela época, detalhou de forma hábil o tratamento de fraturas. Em fraturas de tíbia, utilizava talas similares a fixadores externos e, nas fraturas expostas infectadas, ele recomendava o uso de ceras e enfaixamento com compressas de vinho. Ela ainda descreveu a luxação de ombro e criou uma técnica de redução que até hoje é conhecida pelos atuais traumatologistas.

Na era romana, Galeno de Pérgamo (129 d.C. – 199 d.C. ?) utilizava suas habilidades em traumatologia para o tratamento dos gladiadores feridos nos combates. Galeno é conhecido como o pai da medicina do esporte e deixou um vasto legado para seus sucessores.

  Após a queda do império romano, os árabes ganharam destaque no campo traumatológico. Feito com água e sulfato de cálcio desidratado, o famoso “Gesso de Paris” foi o precursor das atuais imobilizações. Ele se popularizou no século X, mas foi o persa Abu Mansur Muwaffak quem primeiro descreveu a cobertura de gesso para fraturas e outros traumas ósseos dos membros, anos após o incêndio da biblioteca de Alexandria.

Centenas de anos depois, por volta de 400.a.C na Grécia antiga, Hipócrates foi capaz de descrever vários métodos para tratar fraturas, luxações e feridas. Em Roma, Galeno conseguiu detalhar a anatomia humana de ossos, músculos, nervos e suas finalidades. Cirurgião, tratava de gladiadores e foi capaz de descrever sobre a destruição e regeneração dos ossos e deformidades.

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No século XVIII Nicholas Andry escreve seu famoso “L’orthopédie ou l’art de prévenir et corriger dans les enfants les difformités du corps” (Ortopedia ou a arte de corrigir e prevenir deformidades em crianças) onde ensinava os próprios familiares a tratar suas crianças através de medidas simples. Dr. Andry à época ainda fez estudos muito importantes acerca da redução na expectativa de vida pelo uso contínuo do tabaco. Importantes evoluções tecnológicas do século XIX como a anestesia (1846), cirurgia asséptica (1865) e ataduras gessadas também contribuíram para o avanço nos tratamentos.

 Com o fim da Idade Média, muitos nomes famosos surgiram e contribuíram de forma fundamental para que a traumatologia se modernizasse. Um dos primeiros nomes foi Ambroise Paré, considerado o cirurgião mais famoso do século XVI e o pai da Cirurgia francesa. Ele publicou, em 1956, um trabalho monumental em Cirurgia, o Deux livres de chirurgie, e foi pioneiro na hemostasia de membros amputados, com o uso de pinças e fios para ligar os vasos, tal como praticado atualmente.

Além de Ambroise, outros merecem destaque, como Thomas Sydneham (1624-1689), conhecido como o pai da medicina inglesa; Barão Guillaume Dupuytren (1777-1835), famoso médico do exército francês, hábil traumatologista e conhecido por tratar das hemorroidas de Napoleão; Antonius Mathysen (1805-1878), cirurgião militar holandês que, em 1851, inventou a atadura de gesso, conhecida como Gesso de Paris; Joseph Lister (1827-1912), conhecido pela introdução da antissepsia; Hugh Thomas (1834-1891), o pai da ortopedia britânica; Carl Hansmann (1853-1917), cirurgião alemão de Hamburgo, o primeiro a publicar, em 1886, sobre fixação de fraturas com o uso de placas; e Albin Lambotte (1866-1955), cirurgião belga conhecido por desenvolver e colocar o primeiro fixador externo, no ano de 1902, que, por sinal, muito se assemelha aos atuais.

 O início do século XX foi um marco decisivo para a Traumatologia. A descoberta dos Raios-X assinalou o início dos anos 1900, e a própria Ortopedia iniciava a ser vista como uma especialidade médica autônoma na Europa. 

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Todavia, a grande evolução veio com as guerras mundiais. O mesmo já tinha ocorrido durante a Guerra Civil Americana, quando a ortopedia passou a ser vista como especialidade na América do Norte. Como sempre, a necessidade mostrou-se a mãe das invenções e estimulou o desenvolvimento de novas técnicas. Na Primeira Guerra Mundial, o uso da goteira de Thomas, o controle das hemorragias, a remoção de tecidos desvitalizados e de corpos estranhos das feridas, assim como o não fechamento primário, a rápida ajuda e a evacuação com ambulâncias reduziram as baixas, o número de amputações e o longo tempo de recuperação dos traumas dos soldados. 

Na Segunda Guerra Mundial, os médicos já contavam com o antibiótico: a penicilina, introduzida por Alexander Flemming em 1928. Além disso, o uso da haste intramedular por alemão Gerhard Kuntscher permitiu uma volta mais rápida dos soldados ao campo de batalhas.

    O período pós-guerra culminou com uma estagnação na traumatologia. Havia falta de instrumentos adequados, de assepsia dos implantes e de treinamento especializado. Na época, cerca de aproximadamente 50% das fraturas de tíbia geravam incapacidade permanente, fato que levou muitas seguradoras e prestadoras de serviço à falência.

No século XXI os ortopedistas utilizam da tecnologia e técnicas específicas para tratar de doenças e traumas que impactam a qualidade de vida dos pacientes impedindo até mesmo a locomoção e atividades diárias básicas.

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