Espasmos musculares

Um dos mecanismos naturais de resposta protetora do organismo, o espasmo muscular consiste em uma contração involuntária sustentada das fibras musculares (ou dos próprios músculos ou nervos que os servem) em resposta à lesão ou à inflamação. Na parte posterior do corpo, espasmos musculares também podem sinalizar lesões ou danos a uma estrutura vertebral subjacente, como as vértebras, discos e ligamentos que conectam as vértebras.

Espasmos podem ocorrer por uma variedade de razões: um trauma súbito ou extensão da coluna vertebral ou dos músculos e tecidos que a suportam, tal como ocorre em uma entorse, ou algum outro tipo de distúrbio mecânico que possa provocar a compressão ou irritação do nervo espinhal.

Sintomas de espasmo muscular

Os principais sintomas de um espasmo muscular incluem tipicamente dor aguda nas costas ou no pescoço, dependendo do local da lesão ou da condição subjacente, acompanhada por uma sensação de aperto muscular intenso, que pode ocorrer em “ciclos” que duram de alguns segundos a vários minutos.

A dor e a rigidez têm, na verdade, um duplo propósito: sinalizar que algo está errado e limitar o movimento dos tecidos e estruturas afetados, protegendo-os de novas lesões. Os sintomas tendem a aparecer subitamente após a atividade física e geralmente se aliviam após um período de descanso.

Tratamento dos espasmos musculares

Em casa
Em muitos casos, os espasmos musculares podem ser resolvidos em alguns dias ou semanas, após um período de tratamento conservador, desde que não haja condições médicas subjacentes graves ou acometimento da medula.

Contate o seu médico imediatamente se você está apresentando:

  • Alterações do funcionamento intestinal e/ou da bexiga, resultando em dificuldades para controlar a continência fecal ou urinária.
  • Fraqueza muscular nos braços ou nas pernas, sensação de instabilidade ao caminhar ou uma diminuição progressiva da distância total que você consegue andar.
  • Dor e dormência que irradiam para os braços e/ou pernas, especialmente quando tais sintomas pioram com espirros, tosse ou ao sentar-se.
  • Dor que piora quando você está deitado, ou que te mantém acordado à noite.
  • Dor acompanhada de febre, perda de peso ou outros sinais de doença.

Se nenhuma das opções acima está presente, há algumas coisas que você pode fazer em seu próprio domicílio para aliviar os músculos dolorosos e para reduzir a inflamação que está causando o problema.

Repouso não é melhor – Você deve buscar executar suas atividades diárias normalmente, talvez apenas em um ritmo mais lento e, definitivamente, evitar o que pode ter desencadeado a dor. Esta é uma boa maneira de iniciar o processo de cura. Um curto “tempo de sofá” pode aliviar a dor, mas a atividade irá acelerar a recuperação, devendo-se evitar permanecer deitado por longos períodos de tempo.

Compressas frias – Nas primeiras 72 horas após o início dos espasmos musculares, enrole um bloco de gelo, almofada de gel frio em um pano fino (para evitar queimadura pelo gelo) e aplique na área afetada por cerca de 20 minutos, várias vezes ao dia. O gelo diminui a inflamação e o inchaço, entorpece o tecido e diminui o envio de impulsos nervosos da área lesada. Cuide-se, no entanto, para não exceder o tempo de aplicação local de gelo – sessões acima de 20 minutos podem acentuar os espamos musculares ou inflamar ainda mais os tecidos.

Terapia de calor – Após os três primeiros dias, você pode começar a aplicar o calor para relaxar a tensão muscular e aumentar o fluxo de sangue local. Esperar pelo menos 72 horas após o seu início espasmos permite que o inchaço e a inflamação inicial diminuam. Boas fontes de calor incluem uma almofada de aquecimento úmido ou compressa de calor, bem como um banho quente, jacuzzi ou chuveiro.

Analgésicos antiinflamatórios – Fármacos antiinflamatórios não-esteroidais, tais como aspirina, ibuprofeno, paracetamol ou naproxeno sódico, podem aliviar a dor, o inchaço e a rigidez. Há uma série de opções para prescrição. O seu médico e/ou o farmacêutico podem ajudá-lo a determinar o que é melhor para você.

Órteses externas – O uso em curto prazo de uma cinta ou espartilho suave pode ajudar a aliviar os espasmos musculares, mantendo os tecidos inflamados ou estruturas da coluna vertebral imobilizados. Usada corretamente, uma cinta pode aliviar a dor e dar calor, conforto e apoio (consulte o seu médico sobre o correto posicionamento da mesma), mas não se deve contar com este tipo de apoio externo por muito tempo, já que isso pode poupar o trabalho dos seus músculos, eventualmente enfraquecendo-os e fazendo com que uma nova lesão possa ocorrer de forma mais fácil.

Se o tratamento conservador não ajuda …

Se os seus espasmos musculares não diminuíram e as dores e outros desconfortos associados a eles não melhorou visivelmente após 72 horas de auto-cuidado, contate o seu prestador de serviços médicos, pois pode haver uma condição médica/espinhal subjacente que precisa ser abordada por um profissional.

Alternativas que também podem ser recomendadas para o alívio da dor e do desconforto são:

Massagem Terapêutica. Massagem terapêutica é a prática de aplicar pressão ou vibração nos tecidos moles do corpo, como os músculos, tecidos conectivos, tendões, ligamentos e articulações. Através da pressão dos tecidos profundos e/ou mais superficiais com movimentos de afago, a massagem pode ser utilizada em todo o corpo ou em parte dele para relaxar os músculos, controlar a dor, melhorar a circulação e aliviar o estresse e a tensão.

Fisioterapia. Durante o período de fisioterapia, diferentes tratamentos, tais como aplicações de calor e de frio, ultra-som, hidroterapia e massagens, são muitas vezes incorporados para ajudar a aliviar a dor muscular e a rigidez. O ultra-som envolve a passagem de um transdutor sobre a área dolorida e a transmissão de ondas de baixa frequência ou de ondas sonoras profundas nos músculos, aquecendo-os e aumentando a circulação sanguínea. Exercício terapêutico e alongamento também podem ser prescritos para construir a força e aumentar a amplitude de movimento, bem como ensinar a postura correta e técnicas de relaxamento. Saiba mais sobre a terapia física .

Acupuntura. Acupuntura envolve a colocação de agulhas de aço inoxidável muito finas na pele, em certas localidades que parecem corresponder a determinados órgãos e estruturas anatômicas profundas dentro do corpo, incluindo a coluna vertebral. A teoria de como funciona a acupuntura não foi validada pela pesquisa moderna, mas há uma linha de pensamento que defende que as agulhas estimulam neurotransmissores de supressão de dor e de redução da inflamação, aumentando a circulação, reduzindo a tensão muscular e, finalmente, proporcionando alívio da dor. Saiba mais sobre a acupuntura.

Prevenção de nova lesão

Para evitar uma nova lesão nas costas ou no pescoço – e evitar qualquer recorrência de espasmos musculares dolorosos – é importante construir e manter a força e a flexibilidade dos músculos, tendões e ligamentos que sustentam as costas e a coluna vertebral. Isto pode ser obtido por meio de:

  • Exercícios físicos regulares, de baixo impacto sobre as articulações, que sejam de fácil execução, tais como andar de bicicleta, caminhar ou nadar. Caso não seja possível exercitar-se ao ar livre, considere o uso de uma esteira, elíptico ou bicicleta ergométrica, que podem ser encontrados em qualquer academia ou comprados, em versão doméstica, em lojas de artigos esportivos.
  • Exercícios de fortalecimento do núcleo (Core). Condicionando-se os músculos abdominais e das costas, você pode desenvolver um “espartilho/ colete natural” capaz de apoiar a sua coluna vertebral.
  • Alongamento suave para melhorar e manter a flexibilidade. O alongamento também ajuda a manter um bom fluxo sanguíneo para os músculos.

Para programas de fortalecimento das costas nos níveis iniciante, intermediário e avançado, confira esses exercícios para as costas e coluna vertebral .

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