Síndrome do estresse tibial medial (SETM)

A Síndrome do Estresse Tibial Medial (SETM), também conhecida como: “dor na perna induzida pelo exercício”, “shin splint” e “canelite”, foi primeiramente descrita como um “complexo de sintomas encontrados em atletas que apresentam dor induzida pelo exercício localizada no bordo póstero-medial da tíbia”. Tais denominações representam um espectro de reações ósseas, do periósteo e/ou da fáscia causadas por estresse e localizadas no bordo póstero-medial da tíbia.

Causas da síndrome do estresse tibial medial

Mais recentemente, estudos apresentam a teoria de que a SETM não corres-ponde a um processo inflamatório do periósteo, mas sim a uma reação de estresse óssea que se tornou dolorosa. Quando o indivíduo inicia um programa de treinamento, a tíbia sofre modificações no seu metabolismo, caracterizadas inicialmente por uma porosidade decorrente dos fenômenos de osteoclasia, seguida pela osteogênese no bordo póstero-medial. Tal fenômeno proporciona uma maior densidade óssea para resistir às forças locais. No entanto, em casos onde ocorreram longos períodos de SETM, o segmento afetado apresentou uma porosidade 15% a 23% maior do que nos indivíduos controle. Alguns fatores predisponentes foram descritos na SETM, como: a pronação excessiva ou a velocidade de pronação elevada, o estiramento do músculo sóleo, as atividades de impacto repetitivo, o aumento súbito na frequência, intensidade e duração da atividade esportiva, o treinamento em superfícies rígidas, técnicas de treinamento inapropriadas, aumento súbito na intensidade de treinamento, mudanças no calçado, desequilíbrios musculares, deficiências de flexibilidade, elevado índice de massa corporal, lesões pregressas e anormalidades biomecânicas.

Diagnóstico da SETM

O diagnóstico pode ser bem definido através da história clínica e do exame físico. A dor apresenta um caráter difuso, que se manifesta durante as atividades de corrida ou salto, piora ao longo do treinamento, podendo causar interrupção do mesmo. Os sintomas duram dias ou semanas a meses e interferem na progra-mação de treinamento do atleta. Ao exame físico, palpa-se um longo segmento doloroso, com alguns pontos mais intensos, abrangendo uma região localizada no bordo póstero-medial da tíbia, principalmente nos terços médio e distal.

A ressonância magnética é o melhor método para o diagnóstico específico de cada estágio, fornecendo dados mais confiáveis a respeito da duração e da extensão da lesão.

Na cintilografia óssea, as fases de fluxo e pool são normais e a fase tardia demonstra uma concentração alongada, quase linear, no bordo póstero-medial da tíbia, acometendo 1/3 a 3/4 do comprimento do osso. Esse padrão é diferente da fratura de estresse, pois, nesta, todas as três fases do estudo são anormais.

Tratamento da síndrome do estresse tibial medial (canelite)

Em geral, o tratamento conservador das fraturas de estresse se baseia no planejamento proposto por Clement, em que o atleta mantém atividades físicas para preservar o condicionamento cardiovascular, evitando a realização de movimentos que intensifiquem o estresse na região comprometida, tais como nas situações de alto impacto (saltos e corridas). As atividades de vida diária são mantidas sem limitações, inclusive a deambulação com carga é permitida desde o início do tratamento. A redução na intensidade do treinamento de corrida e salto também pode ser um meio efetivo na prevenção das fraturas por estresse dos membros inferiores.

O uso de medicações analgésicas, assim como a crioterapia na fase aguda, propicia o alívio da dor, condição que permite ao atleta iniciar precocemente o processo de reabilitação específico. Nesse processo, o atleta inicia progressivamente o retorno às atividades de caminhada, trote e corrida até a normalização das condições de treinamento.

A utilização de bisfosfonados na prevenção e tratamento das fraturas mostrou-se ineficaz.

As fraturas de estresse da tíbia localizadas na face póstero-medial são consideradas de baixo risco e se consolidam após duas a seis semanas de modificação do treinamento ou repouso relativo, associados à correção dos fatores desencadeantes, permitindo um retorno progressivo ao esporte. Algumas fraturas necessitam de três a quatro meses para o retorno completo ao esporte.

A terapia com ondas de choque foi descrita como coadjuvante na aceleração do processo de reparação óssea nas fraturas de estresse de tíbia.

O tratamento cirúrgico é raramente indicado nas fraturas de estresse da tíbia. As indicações para o tratamento cirúrgico são os casos refratários ao tratamento conservador após três a seis meses, atletas de elite, fraturas de terço médio da perna com sinais radiográficos e clínicos de pseudoartrose. Algumas técnicas cirúrgicas são descritas, como: haste intramedular (fresada, não fresada, bloqueada, não bloqueada, com ou sem enxerto ósseo), corticotomia (aberta, percutânea, com ou sem enxerto ósseo).

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Esportiva-Brasília
Esportiva-Brasília

Dr. Márcio R. B. Silveira, criou a Clínica Salus Ortopedia e Fisioterapia em Brasília-DF, para atuar principalmente no tratamento de lesões de cartilagem, buscando sua reparação e transplante; lesões de menisco com sutura em crianças e reparo; rupturas ligamentares articulares e sua reconstrução biológica e prevenção; tratamento da artrose, com medidas medicamentosas e artroplastias; tendinites e rompimento de tendões provocadas tanto por atividades esportivas, como por alterações degenerativas; fraturas em idosos que apresentam ossos mais frágeis; e enfoque na reabilitação muscular e postural, através de protocolo exclusivo baseado na análise cinemática da marcha.