Tendinites no joelho

A tendinite no joelho é um tipo de tendinopatia (doença do tendão) com característica inflamatória. Os tendões são as estruturas fibrosas que conectam os músculos aos ossos permitindo o movimento. A tendinite é mais comum em quadros agudos e na região do joelho esta mais relacionada aos esportes.

Causas

A tendinite no joelho ocorre por uma sobrecarga no tendão, mais frequentemente por esforços repetitivos. Estes aumentam o atrito local, levando a uma reação inflamatória. Quando o estímulo persiste por um período prolongado o tendão passa a sofrer uma degeneração ocorrendo a tendinose (lesão degenerativa do tendão).

Sintomas

As principais tendinites nessa região estão relacionadas aos sintomas dos respectivos tendões, sendo dos principais o tendão patelar, o tendão do quadríceps, a pata de ganso (tendinite anserina), dos isquiotibiais e o trato iliotibial.

Estágios da tendinite

  • Primeira fase – O paciente sente desconforto após a atividade, mas consegue terminar o treino; não existem alterações anatômicas e o tendão está normal, apenas com uma alteração do líquido sinovial, que é uma situação reversível.
  • Segunda fase – A dor aparece no início do treino; o tendão está inchado e estamos em presença de infiltrado celular com inflamação. Esta condição é reversível, removendo o componente inflamatório. Clinicamente, a situação mais desfavorável é a primeira, porque o paciente não se preocupa com a dor, pensando que se deve somente à fadiga.
  • Terceira fase – É permanente e irreversível, porque é estabelecido um processo inflamatório consolidado no tendão e as fibras ficam alteradas. O tendão nunca terá mais a elasticidade que tinha quando era saudável. Também é provável que o problema torne-se crônico. Este tipo de tendinopatia é chamado tendinose. É recidivante e geralmente se torna crônica.

Tendinite Patelar

O tendão patelar liga a patela a tíbia. A tendinite patelar – ou ainda síndrome do saltador trata-se de uma inflamação no tendão da patela, que leva a intensa dor, sobretudo em atividades como saltos, corridas, caminhada ou demais exercícios físicos. Até mesmo por isto, o distúrbio se torna muito comum em atletas de modalidades como futebol, tênis, basquete e atletismo (corrida de tiro curto), já que é resultado do uso excessivo dos músculos extensores durante algumas atividades, entre elas saltar e correr.

A tendinite patelar pode ser classificada em quatro níveis. São eles: dor leve após atividades físicas; dor logo no início dos exercícios, porém, sem que a pessoa perca o rendimento nos treinos; dor durante e após os exercícios, com perda de rendimento; e ruptura parcial ou total do tendão patelar.

Os graus de lesão na Classificação de Blazina para tendinite patelar:
Grau I – dor leve após atividade física;
Grau II – dor no início da atividade física, melhora após o aquecimento, piora no final do exercício, sem diminuição do rendimento;
Grau III – dor durante e após a atividade física com piora importante do rendimento do atleta;
Grau IV – ruptura parcial ou total do tendão (há a necessidade de se avaliar a necessidade de cirurgia).

A partir do diagnóstico, inicialmente, repouso do joelho afetado, lançando mão de uma faixa elástica na articulação e aplicação de gelo por 20 minutos, três vezes ao dia. Entretanto, no caso de dor persistente por um período maior (entre 10 e 15 dias), o paciente deverá retornar ao especialista para o início de uma nova etapa do tratamento, com ingestão de remédios analgésicos e anti-inflamatórios para diminuição da inflamação e alívio da dor.

Além da medicação, são recomendadas também sessões de fisioterapia com aparelhos de eletroterapia (laser e ultrassom), que aliviam a dor e regeneram o tecido; e também realização de exercícios, como alongamento e fortalecimento para os músculos de toda a perna, essencialmente, os da parte da frente da coxa, deixando mais efetivo o processo de cicatrização do tendão afetado.

Embora estes procedimentos (repouso, medicação, fisioterapia e exercícios) sejam considerados eficazes, a cirurgia não está descartada para casos mais graves, que não tenham demonstrado evolução após três meses de tratamento.

Tendinite do Quadríceps

Dos quatro músculos que o compõem o quadríceps, três o anexam à patela e fazem a conexão com a tíbia: vasto medial, vasto lateral e vasto intermédio – o reto femoral é a exceção (têm origem na bacia, não na coxa). E exatamente por esta ligação íntima com a patela, o quadríceps é igualmente vulnerável a contusões.

Sintomas como inchaço, alta sensibilidade, calor local, dor e rigidez articular no joelho forem detectados, o quadro de tendinite do quadríceps pode ser confirmado através de diferentes métodos, que são selecionados de acordo com o nível da lesão. São recomendados análise do histórico clinico e exame físico em caso de rigidez dos tecidos inflamados; raio-x, a fim de se constatar fraturas ou presença de calcificações na musculatura; e ressonância nuclear magnética ou exame de ultrassonografia para situações de lesões nas partes moles ou rupturas tendinosas.

No tratamento, as técnicas também são escolhidas levando-se em consideração gravidade e sintomas. Em casos amenos, de inflamação tecidual, a opção é por repouso relativo (que se evita as atividades responsáveis pela dor) e uso de anti-inflamatórios. A fisioterapia é indicada também em estágios iniciais da disfunção, para redução de inflamação e dor a partir de aplicação de gelo, massagens e estimulação elétrica; ultrassom, para limitar a dor e diminuir o edema; exercícios de fortalecimento e alongamento; para corrigir qualquer desequilíbrio muscular; tensores para patela, que diminuem dores durante atividades; e uso de calçados apropriados, para prática de esportes.

Quanto à cirurgia, trata-se de um recurso indicado para revascularizar o tecido lesionado e suturar as lesões. Em seguida, é realizada a remodelação para que se reestabeleça a função da região. Felizmente, assim como na tendinite patelar, dispomos de outras terapias mais novas para o tratamento das lesões crônicas.

Tendinite dos Isquiotibiais

Oss músculos isquiotibiais, que recebem este nome por terem origem no ísquio, porção inferior e posterior do osso ilíaco, localizado na ponta superior do fêmur ficam na região posterior da coxa. São eles: semitendíneo, semimembranáceo e bíceps femoral (cabeça longa).

Entre as funções que eles possuem em comum, estão fixação da tuberosidade isquiática (protuberância óssea no glúteo) ao músculo glúteo máximo; fixação distal nos ossos da perna; atuação nas articulações do quadril e dos joelhos, permitindo o movimentos de ambas para trás.

Uma das doenças mais comuns nesta área é a síndrome ou lesão dos isquiotibiais, que ocorre devido a um grande desgaste dos tendões, apresentando um processo inflamatório, podendo evoluir para um quadro de dor, diminuição da força muscular, desconforto ao sentar e limitações para treinar.

Outro problema recorrente é a bursite do bíceps femoral, que consiste na inflamação da bolsa de líquido que envolve o tendão deste músculo, encontrado na parte externa do joelho. O primeiro sintoma é um pequeno desconforto, podendo chegar a uma dor que aumenta gradualmente até que se inicie um tratamento.

Entre as principais causas para lesões na região, se destaca a contração brusca e violenta dos músculos isquiotibiais, movimento muito comum também em modalidades esportivas como futebol e corridas de tiro curto no atletismo e ciclismo.

O tratamento – que pode variar de dias a meses de acordo com a gravidade – consiste em diferentes métodos. Entre eles, aplicação de gelo e ligadura elástica na coxa, a fim de se comprimir a lesão; medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou analgésicos para alívio da dor; e uso de muletas em casos de dor ao caminhar. Com a evolução no quadro, o paciente deverá evitar movimentos como correr ou saltar, até que recupere totalmente a força e a amplitude, tanto do quadríceps, como dos músculos isquiotibiais.

Tendinite da Pata de Ganso

Outra lesão que pode agredir a articulação do joelho é a tendinite anserina, mais conhecida com pata de ganso, que se origina da inflamação de três tendões: sartório, grácil e semitendinoso. Responsável pelo movimento de flexão do joelho, este grupo de músculos se encontra próximo à bursa anserina, como é chamada a bolsa com líquido que tem a função de reduzir atritos.

Esta tendinite atinge, costumeiramente, mulheres acima do peso e pessoas que sofrem com diabetes, pés chatos, deformidades do joelho ou outros problemas (como compressão dos nervos dos tendões; retração da musculatura posterior da coxa; e lesão do menisco medial) causados por traumas ou excesso de atividade física que impacte o joelho. Já os sintomas mais comuns são dores no lado interno da articulação; limitações para subir e descer escadas; sensibilidade ao toque na região; dores intensas no joelho durante o movimento para sentar-se, e fisgadas durante uma caminhada.

Confirmada a tendinite, o profissional indicará o devido tratamento. As técnicas são repouso, que evita a movimentação do joelho e ajuda os nervos da pata de ganso a se regenerarem; crioterapia, com aplicação de gelo para reduzir dor, inchaço e inflamação; medicamentos (como anti-inflamatórios ou até corticoide oral e injeção de anestésico com corticoide para certos casos), a fim de diminuir o processo inflamatório; fisioterapia (ultrassom no joelho e estimulação elétrica transcutânea) com acompanhamento profissional, para fortalecer os músculos que sustentam o joelho e alongar os tendões; e acupuntura, para estimular pontos específicos do corpo, com o intuito de diminuir a dor, levando o paciente a um mais confortável estado físico e mental.

Autor: Dr. Márcio Silveira – ortopedista especialista em joelho
Última modificação porAvatarMarcioR4
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