Artrose dos dedos

Rizartrose é a segunda mais comum nas mãos.

A artrose primária das interfalângicas proximais (IFP- articulações do meio dos dedos) e metacarpofalângicas (MFs articulações entre a palma da mão e os dedos) são menos comuns e nos levam a suspeitar de doenças auto-imunes como a artrite reumatóide. A hemocromatose e a condrocalcinose devem ser investigadas nestes pacientes.

O histórico familiar é um importante fator de risco e a artrose está sendo mapeada geneticamente. A menopausa também parece contribuir para a aceleração da degeneração articular.

Ingestão de frutas e vegetais parece ter um efeito benéfico contra progressão da artrose.

Diferenciar de doenças auto-imunes

O Colégio Americano de Reumatologia criou critérios para diferenciar a osteoartrose das mãos de doenças auto-imunes:

  • Aumento de tecidos “duros” (osso/ osteofito) de pelo menos 2/10 articulações selecionadas: segunda e terceira IFDs e IFPs e da carpometacárpica do polegar.
  • Edema de menos de 3 MFs.
  • Aumento de volume de pelo menos 2 IFDs.

Esta classificação tem sensibilidade de 92% e especificidade de 98% para osteoartrose primária das mãos.

Pode-se encontrar apenas inflamação, sem alterações articulares, ou cistos mucosos (cisto sinovial) em vez dos osteofitos nas IFDs.

A artrose é uma doença incurável. O tratamento visa aliviar a dor e reparar os danos produzidos por ela.

Tratamento

Anti-inflamatórios não esteroidais e corticóides podem ser utilizados para aliviar a dor.

Apesar de se advogar a injeção intra-articular com ácido hialurônico para diminuir os sintomas e haver alguma evidência na literatura para seu uso em outras articulações (como a do joelho), não há evidência que suporte essas infiltrações nas interfalângicas.

A ingestão de sulfato de condroitina e glicosamina também não está amparada pelos trabalhos científicos para a artrose das mãos.

As injeções intra-articulares com corticóides têm efeito benéfico temporário e limitado para as articulações das mãos. Deve-se ter cuidado com a hipotrofia e manchas hipocrômicas após o seu uso.

Os efeitos de ultrassom, laser e estímulos elétricos na reabilitação também não está bem documentado para o alívio prolongado dos sintomas.

Articulação interfalângica distal (IFD)

As deformidades nas unhas e cistos dorsais devem ser tratadas com a ressecção dos cistos. Deve-se realizar a ostectomia dos osteofitos para se evitar a recidiva.

Para deformidades maiores e dor de difícil controle, pode-se optar pela artrodese (travar propositalmente o movimento da articulação, pela consolidação/ ossificação da articulação). Podemos utilizar um parafuso retrógrado (da ponta do dedo para a falange média) e possibilitar a mobilidade precoce da articulação interfalângica proximal (IFP) e os resultados são muito bons, quando a cirurgia é bem indicada.

Articulação interfalângica proximal (IFP)

Esta é uma articulação chave na mobilidade dos dedos.

Pode-se realizar a artrose ou artroplastia (prótese) a se depender do dedo acometido, da profissão do paciente e da necessidade de força ou movimento do dedo.

A artroplastia com prótese de silicone (Swanson) é mais comum e tem resultados mais previsíveis do que com as próteses de 2 componentes em cerâmica ou pirocarbono.

O dedo indicador, por causa da força torcional da pinça, não deve ser submetido à artroplastia.

A artrodese pode ser feita por vários métodos e não há evidência de que uma técnica seja superior às demais.

Articulação metacarpofalângica (MF)

Esta articulação tem uma tolerância menor à perda de mobilidade e à artrodese do que as demais, por atrapalhar o posicionamento da mão para as atividades de vida diária e laboral.
As próteses mais utilizadas são das de Swanson.

A metacarpofalângica do dedo indicador é especialmente difícil de tratar, dado os resultados funcionais ruins com a artrodese e com a artroplastia (pela força em rotação da pinça).

Osteoartrose nos dedos da mão >
Última modificação porAvatarMarcioR4
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